Nem ‘voracidade fiscal’ garante superávits primários
Conspiram contra equilíbrio fiscal, altas despesas
com juros, assistencialismo e renúncias fiscais
Marcello Sigwalt
Conspiram para
inviabilizar, de forma permanente, a possibilidade de produção de superávits
primários – receitas superam despesas (excluídos os gastos com juros), como um 'selo' da capacidade fiscal do país de honrar compromissos, sem expandir o endividamento – uma gestão econômica federal temerária e
perdulária, calcada em massivas despesas com juros (vide Selic a 15% ao ano), programas assistencialistas eleitoreiros e renúncias fiscais em cascata.
Sequelas –
Entre as ‘sequelas’ desse quadro adverso – cujas contas públicas, talvez,
de forma proposital, não fecham – se destacam: baixo crescimento econômico,
restrição de investimentos e alto grau de informalidade da economia.
Cooptações – Mas pior que isso é a voracidade
fiscal do Planalto, que coopta apoios (no meios político, empresarial ou judiciário) que sustentem o aumento da carga tributária (32,2% do PIB), já extremamente
pesada, sobre os ombros dos trabalhadores, sem partido.
Decolagem – Portanto, na contramão de qualquer
conceito de saúde fiscal, a Esplanada está ‘pagando pra ver’, em matéria de
avanço exponencial da dívida pública brasileira, que deve atingir, segundo o
FMI (Fundo Monetário Internacional), 91,4% do PIB este ano e bater 98,1% do PIB
em 2030.
‘Calote? Ainda não!’ – Nem mesmo a
rigidez dos gastos obrigatórios em áreas sociais (saúde, educação e previdência)
serve de pretexto para o risco, logo ali, de um ‘shutdown’ tupiniquim –
com ‘direito’ à calote – à semelhança da falência, seguida de paralisação, da máquina pública dos EUA, só
há pouco revertida, ainda que provisoriamente. Segundo analistas, o governo só
não teria chegado ao ‘fundo do poço’, devido à atuação eficiente do Tesouro Nacional,
que mantém um caixa ‘no positivo’ e aquecida a demanda por títulos públicos.
‘Me financia?’ – Se quiser manter o ‘carcomido’ pilar do arcabouço fiscal – criado, tão somente, para eliminar o anterior, de teto de gastos, bastião, de fato, do conceito republicano de responsabilidade fiscal – só resta ao governo ‘atacar’, uma vez mais, o ‘bolso’ do contribuinte, para que este financie o descontrole de suas despesas. Só assim será possível obter um ‘inflado’ superávit primário de 2,38% do PIB, acima dos 2,18% do PIB, estimados em junho, calculou a IFI (Instituição Fiscal Independente), do Senado federal, .
‘Maior esforço (nosso)’ – “Ou seja, os
juros reais implícitos ligeiramente maiores e o endividamento mais elevado
aumentam o esforço necessário para estabilizar a dívida bruta em proporção do
PIB, ainda que tenha havido alguma melhora nas projeções para o déficit primário
no médio prazo”, aponta a IFI, ao levar em conta o Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) de dezembro,
divulgado no último dia 18. Neste caso, a estimativa é de que o
crescimento contínuo da dívida, em curso, deverá fazer com que esta chegue a
101,1% do PIB em 2031, isto é, em cinco anos, e a 117,7% do PIB, em 2035.

Adeus superávits primários
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