Abismo entre
ricos e pobres se abre ainda mais
Renda
dos primeiros é 14 vezes maior do que a dos segundos
Marcello
Sigwalt
Uma
análise menos ‘rasteira’ do tema concentração de renda – do que aquela
praticada pelo corriqueiro ‘jornalismo de registro’ – permite concluir, de
imediato, que a persistência do aperto monetário, como instrumento monolítico
de salvaguarda política ao desajuste fiscal (leia-se, despesas intencionalmente
superiores às despesas) é o fator crucial para o aprofundamento da desigualdade
econômica, em que os 10% mais ricos ganham 14 vezes mais que os 40% mais pobres
da população. Ironia ou não, tal disparidade chega a 19,7 vezes em Brasília,
sede do poder, seguida pelo Rio de Janeiro (16,4) e Rio Grande do Norte
(16,3).
Este retrato
vergonhoso do ‘apartheid socioeconômico’ de Pindorama está patente na
divulgação, nessa sexta (8.5), da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios
Contínua (PNAD Contínua) pelo IBGE, que monitora, a cada trimestre, o mercado
de trabalho.
O estudo
confirma a percepção de que a Selic, no estratosférico patamar de 14,50% ao ano
constitui o principal instrumento para a crescente transferência de recursos
dos trabalhadores aos barnabés do serviço público e multimilionários
capitalistas nativos, mas sem pátria.
Outra
conclusão óbvia é que, enquanto a classe média (formadora de opinião) é
esmagada pelo combo arrocho (monetário/tributário), a indústria (maior
empregadora) perde o ímpeto e o endividamento das famílias bate recorde (acima
de 80% do total), o Planalto alimenta um curral eleitoral formado por 18
milhões de famílias (aproximadamente 70 milhões de pessoas ou um 1/3 do total
da população) como dependentes ‘permanentes’ de Brasília.
Nesse
rol de maldades, ignoradas pela maioria anestesiada por distrações
midiáticas/tecnológicas, se destacam as seguintes sequelas:
Transferência
de renda (bolsa-rentista): juros
altos remuneram aplicações financeiras (títulos públicos) de quem já possui
capital, concentrando renda nas mãos dos mais ricos.
Encargo
sobre a dívida pública: o
governo gasta uma parte enorme do orçamento para pagar juros da dívida a
investidores, reduzindo recursos disponíveis para investimentos sociais (saúde,
educação, Bolsa Família) que beneficiam os mais pobres.
Endividamento
familiar: taxas elevadas encarecem
crédito, cheque especial e cartão rotativo, consumindo a renda das famílias de
menor renda e dificultando o consumo.
Freio no emprego: Juros altos encarecem investimentos produtivos, travando o crescimento econômico e gerando desemprego, o que afeta desproporcionalmente os trabalhadores formais e informais.
Agora
observe a diferença entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, ao longo do
tempo:
Ano Diferença
2019 16,9 vezes
2020 14,8 vezes
2021 17,0 vezes
2022 14,3 vezes
2023 14,3 vezes
2024 13,2 vezes
2025 13,8 vezes

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