IA auxilia, mas não garante ‘elucidação de crimes’
Brasil é ‘lanterna’ no uso de ferramenta digital em investigações
edia.beehiiv
Marcello Sigwalt
Muito além da mera análise de dados, habilidades ‘terráqueas’,
como intuição, pensamento crítico, empatia e capacidade inata de lidar com
situações complexas e eticamente sensíveis. Eis uma amostra adicional do
potencial humano que ‘desbanca’, uma vez mais, a máquina, ante o desafio
permanente de ‘elucidação de crimes’.
Aqui passamos a destrinchar cada uma dessas características puramente
humanas, segundo definição de IA (Inteligência Artificial):
·
Intuição e experiência: dotados de uma ‘intuição aguçada’, construída por anos de
prática e exposição a situações diversas, investigadores experientes são
capazes de estabelecer conexões não óbvias, buscando ‘pistas’ não captadas por
algoritmos de plantão.
· Pensamento crítico e flexibilidade: adaptabilidade a cenários imprevistos, que podem demandar mudanças bruscas de estratégia, além de uso do bom senso para compreender os fatos por trás de situações ambíguas, não incluídas na programação das máquinas.
· Interação humana e empatia: propriedade estritamente humana e, portanto, insubstituível, a investigação criminal abrange atividades, como entrevistas com vítimas, testemunhas e suspeitos. Nesse contexto, cabe ao investigador, de forma presencial, usar de empatia, construir confiança e interpretar nuances da linguagem corporal e de emoções (habilidades interpessoais), de onde poderá tirar conclusões preciosas para conclusão dos casos.
· Julgamento ético e moral: por envolverem dilemas éticos e preservação de direitos (humanos, diga-se de passagem) fundamentais e inalienáveis, casos criminais exigirão de investigadores considerações como impacto social e moral de suas ações e decisões, o que passa longe dos parâmetros programados, previsíveis e desprovidos de modelos preditivos em torno de complexidades éticas.
· Compreensão do contexto social e cultural: vieses
cultural e social, propriedades estritamente humanas, são fatores essenciais
para compreensão dos contextos criminais.
Sem substituição – A conclusão óbvia é que a tecnologia, mesmo ampliando a
capacidade de investigação, não substitui o julgamento, a criatividade e a
miríade de qualidades, que se mantêm exclusivamente humanas.
Domínios humanos – Em resumo, a
tecnologia é uma ferramenta poderosa que amplia as capacidades dos
investigadores, mas o julgamento final, a criatividade e a humanidade na
condução das investigações permanecem como domínios exclusivamente humanos.
Lanterna mundial – A despeito da aplicação
intensiva da IA pelo globo, O Brasil se mantém na ‘lanterna’ mundial, ostentando
a pior colocação (107ª) no ‘Índice de Percepção da Corrupção’, elaborado pela
ong ‘Transparência Internacional’, ao receber 34 pontos, após pesquisa junto a
180 nações. A vergonhosa marca coincide com a passagem do ‘Dia Internacional Anticorrupção’,
no último dia 9 de dezembro.
Contraponto – Após o desfile
de vantagens comparativas da espécie ‘sapiens’, é necessário, também, discorrer
sobre aquelas apresentadas pela IA, cujos algoritmos se destacam pela agilidade,
eficácia operacional e análise de dados, o que auxilia na identificação de
padrões e tendências de criminalidade, de modo a permitir que as forças policiais
aloquem recursos e direcionem ações para áreas de maior risco de novas
ocorrências.
Além de agilizar o processamento de informações, são
competências da IA:
·
Triagem de amostras de voz.
·
Análise de DNA.
·
Reconhecimento de veículos e rostos.
Emergências – No plano de
automação e suporte físico, robôs físicos, drones autônomos e unidades de patrulha
robóticas apoiam trabalhos de vigilância e respostas a emergências, que visam reduzir
a exposição de policiais humanos a situações perigosas, como a detonação de
bombas ou patrulhamento de áreas de alto risco. Neste último aspecto,
ferramentas de IA podem monitorar redes sociais e vídeos de vigilância, em busca
de comportamentos suspeitos e autores de discursos de ódio ou que pressuponham
planejamento de atividades criminosas, dando origem a alertas em tempo real.

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