IPCA de 5% liga alerta de estagflação


PIB empaca, inflação avança,

enquanto serviços e indústria recuam 

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Marcello Sigwalt

Como já havia sido objeto de advertência, por diversas vezes, nesse espaço, à medida que se aproxima o alvo político prioritário do Planalto, o pleito presidencial, em outubro, mais cresce a ‘musculatura’ do ‘dragão inflacionário’. Esse cenário tenebroso, sobretudo para o cidadão-contribuinte-eleitor que ‘trabalha’, é consolidado pela última projeção do boletim Focus – consulta do Banco Central (BC) às 100 maiores instituições financeiras do país – que crava 5% para o IPCA este ano, superando, até mesmo, o teto da meta de inflação (4,5%) fixado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).

Completam esse quadro adverso dois outros fatores: o avanço, de 5,1% para 6,1% (da população economicamente ativa) da taxa de desemprego, respectivamente do quarto trimestre para o primeiro trimestre (1T26/4T25), face à desaceleração no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Em números, a atual política econômica concentradora de renda relega ao desespero 7 milhões de brasileiros em Pindorama.

Em compasso com a previsão de que o crescimento do PIB deve ‘empacar’ em 2% este ano, os serviços – setor que é o esteio da economia tupiniquim – recuaram 1,2% em março último, no comparativo mensal, indica a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) do IBGE, e baixaram 0,7% no primeiro trimestre, ante o anterior (1T26/4T25). Com um detalhe substancial: a interrupção, pela primeira vez, desde 2023, da sequência de resultados positivos, de todas as atividades monitoradas.

Neste último aspecto, importa expor a dicotomia de desempenho entre o varejo – inflado pela expansão tópica da massa salarial – e o exibido pelos serviços e a indústria, que se ressentem do aperto monetário monolítico perpetrado pelo BC, que mantém a Selic (taxa básica de juros) no estratosférico patamar de 14,50% ao ano. Este fato atesta a ausência de alternativas, por parte da autoridade monetária, para debelar a inflação, que patrocina o desajuste fiscal eleitoreiro federal.

Desta forma, estagflação pode ser definida como a ‘combinação patológica’ decorrente de ‘choques de oferta’, em que a elevação de custos de produção é repassada aos consumidores (inflação), enquanto a atividade econômica encolhe e o desemprego sobe. 

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