Focus atesta ineficácia do aperto monetário ante à inflação

Risco de recessão à vista, face ao avanço do IPCA para 2026

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Marcello Sigwalt

Com exceção do ‘conveniente’ fator escalada do preço do petróleo – em decorrência do conflito geopolítico no Oriente Médio – a nona alta seguida da previsão do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) para este ano (agora em 4,91%), divulgada nessa segunda-feira (11.5) pelo boletim Focus não deixa dúvidas: o pretexto do Banco Central (BC) de manter a Selic (juros básicos), hoje no patamar astronômico de 14,50% ao ano, maior taxa real do planeta, atesta a retumbante ineficácia de tal política monolítica e o mais grave, o risco de o país ingressar, sem prazo de término, em um período tenebroso de estagflação. 

Como já projetado anteriormente nesse espaço, estagflação pode ser definida por um cenário econômico ‘raro e tóxico’, resultante da combinação de alta inflação, baixo crescimento econômico e alto desemprego. Como ‘armadilha auto imposta’, mas que penaliza a base da pirâmide social (aí incluídos os pobres e a classe média), qualquer medida de combate à inflação resiliente redundaria em mais recessão.

Ao passar de 4,89% para 4,91%, o índice oficial de inflação tupiniquim confirma a expectativa da autoridade monetária, de descumprir, pela quinta vez, nos últimos cinco anos, o compromisso constitucional de ‘respeitar’, sequer, o teto da meta de inflação, de 4,5%. No ano passado, o IPCA fechou em 4,26%, ainda assim, a menos de três décimos percentuais do teto mencionado.   

Sancionando essa perspectiva adversa, agentes econômicos deixaram patente sua ‘descrença’ de que a inflação oficial convergirá ao centro da meta (3%), mas se cristalizará em nível superior ao teto.

Reza o ditado que três coisas na vida não têm retorno: a palavra dita, a flecha lançada e a oportunidade perdida. Esta última retrata a leniência, tanto do Planalto, ao não fazer o ‘dever de casa fiscal’ (despesas em compasso com receitas), quanto do BC, de reduzir a Selic, quando as condições assim o permitiam.

Embora mantenha cautela ao cravar que o país estaria refém da ‘estagflação’, o mercado já prevê que a economia verde-amarela deverá exibir 'crescimento fraco com inflação acima da meta’. A leitura corrente é no sentido de que o combo perverso, formado por persistência inflacionária com crescimento pífio cria as condições para um ‘pouso forçado’ na atividade produtiva.

Traduzindo a linguagem tecnocrática, isso quer dizer que o governo talvez tenha que comprimir, ainda mais, o ritmo da economia (após a eleição?), na tentativa de ‘domar’ a inflação, que poderá descambar em uma recessão sem precedentes. Na prática, o já insignificante crescimento esperado do PIB (Produto Interno Bruto), de 1,85%, poderá se reduzir a patamares desprezíveis. Mas a realização do pleito presidencial de outubro está 100% garantida.

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