Enquanto a
economia desacelera...o fluxo externo também
Ingresso de capital estrangeiro despenca 88% na bolsa 'brasilis'
remessaonline
Marcello Sigwalt
Nem aqui, nem
lá fora. A absurdamente alta taxa real de juros (vulga Selic) – hoje em 14,50%
ao ano, ainda, a maior do planeta, é bom que se repita! – é inoperante, tanto para
segurar a renitente inflação ‘inflada’ pelos igualmente excessivos e eleitoreiros
gastos públicos, quanto pela persistente instabilidade decorrente do imprevisível
conflito geopolítico no Oriente Médio.
Como resultante desse
combo de ‘improbabilidades’, da mesma forma que irriga o mercado de capitais, o
capital estrangeiro – em sua maioria absoluta, hot money (especulativo, em português
claro) – pode desaparecer da praça verde-amarela, sem qualquer cerimônia ou prévio
aviso. É como se um parente que não ‘dá as caras’ há muito tempo te visitasse com um
pedaço de pão, almoçasse e jantasse às suas custas e depois agradecesse, sem
olhar pra trás...
Coisa diferente
seria aquele capital de longo prazo, que veio para ficar e investir em projetos
estruturantes que criam empregos no país. Onde eles estão? Certamente em
mercados com maior segurança jurídica, equilíbrio fiscal, inflação controlada e
juros decentes. Nesse caso, a aversão à exposição a mercados emergentes se
mantém firme, substituída por uma concentração maciça de recursos em ativos
mais seguros, ou seja, em países ricos.
A despeito do ingresso recorde acumulado na bolsa tupiniquim em 2026, até maio – cerca de R$ 49,4 bilhões, mais do que o dobro do que o total apresentado em todo o ano anterior, de R$ 25,47 bilhões – até o dia 18 corrente, a retirada líquida atingiu R$ 7,2 bilhões, o que corresponde a uma queda livre de 88%, indicam dados do consultoria Elos Ayta.
Fatores que dão suporte à atual
trajetória de desaceleração:
· Realocação de risco: tensões
no Oriente Médio e projeções inflacionárias globais têm freado as entradas
líquidas.
· Realização de lucros: investidores
estrangeiros aproveitaram picos históricos anteriores do Ibovespa e a
valorização do dólar para garantir ganhos e reduzir posições.
· Cenário doméstico: ruídos
políticos internos e o diferencial de juros também pesam no sentimento do
investidor.
A ‘cereja do
bolo’ no quadro de incerteza registrado no mercado acionário brasileiro veio do
pragmático e incontestável FMI (Fundo Monetário Internacional), que lançou um
alerta que destaca a ‘maior vulnerabilidade dos países emergentes a choques
globais’, em razão de sua “maior dependência de fundos e investidores não
bancários, o que amplia o risco de volatilidade, além de pressionar moedas e encarecer o crédito”.
A análise do
Fundo decorre da constatação de que a participação dos investidores
estrangeiros na dívida de países emergentes saltou de que 9% do PIB em 2006
para 15%, atualmente. Nesse período, também houve mudança no perfil desse
investidor, em que 80% dos fluxos provêm de instituições não bancárias (hedge
funds e fundos de investimento), montante duas vezes superior ao de 20 anos
atrás.

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