Brasileiro prioriza renda, não emprego
Avanço da desocupação flagela 6,6 milhões de cidadãos
dm.com.br
Não basta ter
emprego, mas renda para sobreviver. A máxima é o principal recorte que se pode
extrair da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua,
divulgada nesta quinta-feira (14), pelo IBGE, que desfaz, em definitivo, o mito
de que uma recolocação no mercado (em geral, informal) é o suficiente para
garantir que o cidadão-contribuinte-eleitor chegue em outubro próximo em plenas
condições de guindar, novamente, o atual mandatário para mais quatro anos no
comando de Pindorama.
Por enquanto,
a única certeza tupiniquim é de que o cenário atual premia o pleno emprego do
dinheiro público para fins escusos, como também eleitoreiros, haja vista que a
desocupação subiu em 15 dos 26 estados da Federação, no primeiro trimestre
deste ano (1T26), ante o anterior (4T25), informa o PNAD.
Assim, o contingente de brasileiros desocupados superaria hoje a marca de 6,6 milhões,
o que afetaria aproximadamente 40 milhões de pessoas.
As maiores
taxas de desocupação foram observadas no Amapá (10,0%), Alagoas (9,2%), Bahia
(9,2%), Pernambuco (9,2%) e Piauí (8,9%), redutos tradicionais da esquerda. Já as menores foram em Santa Catarina
(2,7%), Mato Grosso (3,1%), Espírito Santo (3,2%), Paraná (3,5%) e Rondônia
(3,7%).
Na ponta do lápis, para o assalariado – que aufere R$ 1.700, prestes a ser anestesiado pelos jogos da seleção, coincidência ou não, sempre em ano de eleição – certo mesmo é constatar que o orçamento doméstico, inflado por um custo de vida que não para de crescer e, há muito, supera a renda popular. O fato é que a taxa de desocupação verde-amarela passou de 5,1% da população economicamente ativa (PEA) para 6,1%.
Tal avanço
estaria vinculado a fatores, como a insegurança empresarial – em que o pleito iminente, ao invés de estimular, ‘freia’ novas contratações,
especialmente no comércio e na administração pública – sazonalidade de
contratos temporários e uma busca mais intensa por emprego, nessa parte inicial
do ano.
Um olhar mais
atento, porém, é revelador de uma realidade atroz, sobretudo aos economicamente
mais vulneráveis, ao mesmo tempo em que premia, ainda mais, a concentração de
renda: o mercado de trabalho exibe avidez crescente por qualificação
profissional. Ou seja, quem tem condições de financiar um curso concorrido,
ficará com a seletas oportunidades abertas, com ênfase, no setor privado.
Outro funil
estrutural estaria relacionado com o processo irreversível de automação das
organizações, em que a máquina toma o lugar do homem, sem contar aqueles
ligados à digitalização, plataformização, como também o envelhecimento populacional.
Pesquisa
recente aponta que, para 45% dos brasileiros, é imperativo obter uma renda
extra, com mais intensidade para aqueles que auferem até dois salários mínimos
(R$ 3.400), montante considerado insuficiente para sete em cada dez pessoas que
se situam nesse patamar de remuneração.
Quando a
inflação avança, sem dó, nem piedade, sobre o bolso dos patrícios, a
estabilidade – só garantida para os apaniguados do poder da Esplanada – surge
como ‘tábua de salvação’, sobretudo para jovens recém-chegados ao mercado, na
faixa de 25 a 34 anos (41,4% do total) – que buscam benefícios, como FGTS,
seguro-desemprego e previdência – revela pesquisa da CNI (Confederação Nacional
da Indústria), ao passo que outros 36,3% admitem preferência pela carteira
assinada.

Renda é prioridade tupiniquim
ResponderExcluir