Bitcoin bate US$ 80 mil, com viés de alta
Distante da marca histórica
de US$ 100 mil, ativo é sustentado por ETFs
Marcello Sigwalt
Um ano após bater, pela segunda vez na história (a primeira, em dezembro de 2024), a marca de US$ 100 mil, em maio do ano passado, o bitcoin
se ‘sustenta’, por enquanto, na faixa de US$ 80 mil, mas com perspectiva
de avanço incerta, tendo em vista o cenário macroeconômico global ‘limitador’ de preços.
Contribui para esse movimento, em ‘marcha lenta’ de cotações, a
baixa liquidez do ativo digital, reforçada pelo efeito sazonal do feriado chinês.
De qualquer modo, especialistas entendem que a derradeira cotação sinaliza um ‘apetite
de risco’ resiliente com potencial de valorização da criptomoeda. Hoje, o Brasil
figura como o quinto maior mercado de criptomoedas do planeta.
Segundo os experts, “com base na análise de heatmap de
liquidações, a região entre US$ 79,5 mil e US$ 81 mil passou por um forte squeeze de
liquidez em posições vendidas, enquanto a faixa de US$ 77 mil a US$ 78 mil atua
agora como a principal zona defensiva de curto prazo para posições compradas
alavancadas”.
No jargão do mercado, ‘forte squeeze de liquidez em posições vendidas’
traduz uma situação em que o preço de um ativo (uma ação) apresenta súbita alta, obrigando investidores a apostarem em sua queda, para depois recomprarem tais papéis para cobrir prejuízos. Essa medida, porém, acaba resultando em valorização.
Outra explicação para a ‘sustentação’
do bitcoin seria o suporte dado pelos fundos de índice, negociados em bolsa
spot (ETFs, na sigla em inglês) e pela demanda aquecida, por parte de investidores institucionais,
cuja continuidade estaria condicionada à superação do cenário de incerteza
global, em decorrência do conflito geopolítico no Oriente Médio.
Ao menos no curto prazo, a perspectiva é favorável, haja vista
que a principal cripto blue chip está presente em nove carteiras recomendadas por players
locais, consolidando a percepção do ativo como reserva de valor, devidamente
incluída em balanços de diversas empresas de grande porte, a título de 'proteção e
diversificação', na avaliação do head de Research do Mercado Bitcoin, Rony
Szuster.
“Esse movimento reforça a crescente adoção institucional,
envolvendo desde companhias de tecnologia e fundos de investimento até governos
que estudam formas de incorporá-lo às suas estratégias”, acrescenta Szuster.
Endossando a apreciação do head do Mercado Bitcoin, o diretor de
mercados e tesouraria da Foxbit, Marcelo Person, entende que o bitcoin, como principal referência desse mercado, deverá ‘manter a dominância’
elevada, em decorrência do forte fluxo de ETFs.
Fatores que influem na trajetória do bitcoin
• Ajuste regulatório e compliance
(EUA e Brasil):
A implementação de normas mais rígidas, como o Market Clarity
Act nos EUA e as exigências do Banco Central brasileiro (em vigor a partir de
fevereiro de 2026), gera pressão de conformidade. Exigências de capital mínimo
e relatórios financeiros pressionam startups e podem causar reestruturação no
mercado de exchanges (VASPs).
·
Pressão vendedora institucional
(Basileia III):
Regulamentações bancárias
internacionais, especificamente o Basileia III, aumentaram a exigência de
capital para instituições financeiras expostas a cripto, levando a uma redução
sistemática de posições por bancos e fundos, gerando pressão vendedora.
·
Política econômica dos EUA e taxa de juros:
A incerteza sobre os cortes de juros
pelo Federal Reserve (Fed) e a troca na sua presidência mantêm a volatilidade.
Juros altos tendem a drenar liquidez de ativos de risco, como cripto.
·
Tensões geopolíticas:
Conflitos no Oriente Médio e fraturas
globais continuam a causar volatilidade, impactando o apetite ao risco dos
investidores.
·
Realização de lucros e 'desalavancagem':
Após um 2025 de fortes altas,
investidores de longo prazo estão realizando lucros, e a desalavancagem de
derivativos (liquidações forçadas) acelera as quedas de preço.
·
Rotação de capital para IA:
Parte do capital que antes fluía para
o mercado cripto tem sido desviada para setores de tecnologia com narrativas
mais fortes, como Inteligência Artificial (IA).
·
Desempenho de altcoins e "Vale
do Tédio":
Analistas apontam que 2026 pode apresentar ciclos mais curtos e rápidos para altcoins, com rotações mais rápidas e retiradas rápidas de capital quando as condições apertam. Apesar desses fatores, especialistas indicam que 2026 também consolida o Bitcoin como um "ativo de proteção" para portfólios institucionais no longo prazo.

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