Impasse geopolítico coloca em
xeque metas de sustentabilidade
Atualmente, 20% dos objetivos
sustentáveis podem ser cumpridos
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Marcello Sigwalt
A perda da perspectiva para o fim da crise geopolítica no Oriente Médio,
além de colocar em xeque metas de sustentabilidade (ODS da ONU e o Acordo
de Paris), deve acelerar a busca por
tecnologias limpas que superem eventuais colapsos energéticos, precipitados pela
virtual revisão da ordem financeira internacional, mediante a derrocada da supremacia
econômica ianque sobre o globo e do dólar, como padrão monetário hegemônico.
Diante da constatação de que, nesse momento, menos de 20% das metas de sustentabilidade
seriam passíveis de cumprimento efetivo, relatórios recentes apontam a urgência
pela definição de um modelo de desenvolvimento que mitigue os efeitos das
mudanças climáticas, por meio da elevação do padrão de eficiência energética. Juntamente
com uma esperada retração de investimentos no setor, deve aumentar a pressão por
soluções inovadoras, voltadas à descarbonização da indústria e da economia, em
geral.
Para não ‘morrer na largada’, a sustentabilidade, acentuam especialistas,
terá de se converter em ferramenta de gestão de riscos e rentabilidade, com destaque
para itens essenciais, como custos, logística reversa, rastreabilidade e a
capacidade de crédito. O desafio aqui é fazer com que sustentabilidade se
converta em ativo financeiro (créditos de carbono e lastro de água positiva) e
não mais permaneça como custo.
Destaque de novas tecnologias
limpas
·
Aceleração da inovação: a transição energética exige mais do que apenas aplicar
tecnologias existentes. A complexidade do cenário atual demanda inovações como
energia solar e eólica de maior eficiência, soluções de armazenamento de longa
duração e captura de carbono.
·
Digitalização e IA: a Inteligência Artificial (IA) é vista como crucial para otimizar
o consumo de energia e reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE), com
estimativas de que a tecnologia ajude a reduzir bilhões de toneladas de GEE até
2035.
·
Eficiência de recursos: tecnologias como sensores inteligentes (IoT), sistemas de
reciclagem automatizados e novas tecnologias de materiais (incluindo materiais
avançados) são fundamentais para reduzir desperdícios e aumentar a
sustentabilidade na produção industrial.
·
Sustentabilidade no transporte: a transição para veículos elétricos e o desenvolvimento de
combustíveis renováveis continuam a exigir inovação para superar os desafios de
infraestrutura e aumentar a eficiência energética.
Riscos econômicos para a Sustentabilidade
• Sufocamento Financeiro (crise de capital): o acesso a capital para
projetos de sustentabilidade está dificultado, especialmente em países em
desenvolvimento, onde muitas nações gastam mais com juros da dívida do que com
saúde ou educação.
• Conflitos e inflação: conflitos geopolíticos (como no Oriente
Médio) e pressões inflacionárias persistentes, esperadas para 2026, desviam
recursos públicos e privados para a segurança energética e alimentar, em
detrimento de projetos ambientais.
• A “Permit Crisis” (crise de licenças): Aceleração de impactos
físicos do clima exige adaptação urgente, mas a burocracia e a falta de capital
para infraestrutura sustentável travam a transição energética.
• Volatilidade de preços: com os preços de energia elevados e
incertos, a transição para energias renováveis pode ser percebida como onerosa
no curto prazo, gerando retrocessos regulatórios.
Desafios e
Oportunidades em 2026
·
Inovação como vantagem competitiva: a sustentabilidade está se tornando o principal motor de inovação,
com a transição energética deixando de ser um movimento técnico para se tornar
uma decisão estratégica.
·
Integração digital: o desafio para 2026 é a integração entre a transformação digital e
a sustentabilidade, onde empresas que unem IA, dados e tecnologia limpa ganham
resiliência.
· Necessidade de políticas e incentivos: o desenvolvimento de tecnologias de baixo carbono requer um
ambiente de políticas públicas que estimule o investimento e a cooperação
internacional, focando no desenvolvimento e difusão de novas soluções.

Dobra o desafio da sustentabilidade
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