Crise do petróleo favorece energias limpas


Fontes renováveis já superam o uso do carvão


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Marcello Sigwalt


O conflito geopolítico de alta octanagem nuclear, tendo como epicentro o Estreito de Ormuz, paradoxalmente, enquanto arrasta a humanidade para uma crise energética sem precedentes, também acelera o relógio na sobrevivência da espécie, por meio da adoção urgente das chamadas ‘energias limpas’.

Indício positivo nessa direção foi a superação, pela primeira vez na história, do carvão por fontes renováveis, no que toca à geração de eletricidade, sob o forte impulso das energias solar (fotovoltaica) e eólica, capitaneado pelos líderes do segmento China e Índia, que promoveram o ‘desacoplamento’ de seus respectivos crescimentos econômicos das emissões de carbono. 

São fatores da virada energética:

·         Declínio dos combustíveis fósseis: a geração, a partir de carvão e combustíveis fósseis, entrou em fase de queda estrutural.

·         Liderança solar/eólica: a energia solar responde por grande parte do aumento da oferta elétrica global.

·         Novos protagonistas: China e Índia, antes grandes dependentes de carvão, agora aceleram a transição com fortes investimentos em tecnologias limpas.

·         Eletrificação do transporte: a popularização de veículos elétricos reduz a demanda por petróleo.

·         Armazenamento e baterias: a queda no custo das baterias viabiliza o uso contínuo de fontes intermitentes. 

No Brasil:

·         Liderança Renovável: o Brasil busca atingir 51% da sua matriz elétrica proveniente de fontes renováveis até 2028.

·         Boom Solar/Eólico: parques eólicos e solares crescem no Nordeste e em todo o país.

·         Desafios Regulares: o Marco Legal da Geração Distribuída (Lei 14.300/2022) ajusta os custos de uso da rede, com mudanças de tarifas em 2026. 

A resposta tecnológica da natureza

Atento aos efeitos adversos que o embate bélico envolvendo EUA-Irã, o setor de transportes começa a despertar para uma realidade inescapável: é hora de voltar a atenção para soluções alternativas, mais econômicas e, principalmente limpas. É o caso do biodiesel, biometano, assim como os veículos elétricos.

Mas para que tais opções se tornem sustentáveis economicamente, especialistas apontam como ponto-chave o investimento inicial que viabilize essa transição, ainda que estes sejam proporcionalmente inferiores aqueles dispendidos com combustíveis fósseis.

Segundo o diretor da Bravo Logística, Marcos Azevedo, sua empresa “já tinha identificado essa demanda dos clientes, principalmente empresas com metas de descarbonização. Outro ponto é também reduzir a dependência de combustíveis ligados a movimentos geopolíticos, como o diesel, e começar a buscar alternativas”.

Mais adiantado nesse viés, o diretor da Jomed Transportes, Carlos Ferreira, admite que o biometano já proporcionou uma redução de custo entre 25% e 30% ante o diesel, levando à ampliação da frota movida a gás e na criação de novos postos de abastecimento. Atualmente, a companhia já dispõe de 500 veículos, com a meta de contar com 70% dos caminhões movidos a gás em 2030.

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