Cresce o espectro sombrio da ‘estagflação’

Esse é o reflexo de inflação sem controle e economia em baixa


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Marcello Sigwalt   

A perspectiva sombria de estagflação – inflação alta combinada com baixo crescimento – para a economia brasileira neste ano (eleitoral), objeto de alerta por essa newsletter, parece estar se confirmando, com a elevação, pela quinta vez seguida, da projeção de inflação deste ano – medida pelo IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial – pelo mercado.

Segundo o boletim Focus – consulta semanal do Banco Central (BC) às 100 maiores instituições financeiras do país – dessa segunda-feira (13), a projeção do IPCA para 2026 saltou de 4,10%, há quatro semanas, para 4,38% na semana anterior, alçando o patamar de 4,71%, na atual. Neste aspecto, nem mesmo no chamado ‘horizonte relevante’ de 2027, o avanço do indicador perde ‘ímpeto’, pois este subiu de 3,80% para 3,85%, passando, em seguida, a 3,91%, em igual comparativo temporal.

A constatação óbvia é de que deve ocorrer novo ‘estouro do teto’ da meta de inflação (4,5%) em 2026 e risco de ‘repeteco’, no ano seguinte, face ao notório desajuste fiscal eleitoreiro patrocinado pela ampliação ‘célere’ das receitas, ante à ascensão, mais ‘célere’ ainda, das despesas.

Enquanto o índice inflacionário ‘escala’, em compasso com a gastança fiscal federal, o PIB ‘empaca’ em 1,85%, o menor crescimento entre os países em desenvolvimento, o mesmo valendo para a ‘vilã’ Selic (taxa básica de juros), ‘imexível’ em 12,50% ao ano.

Entre os fatores que se inserem no desequilíbrio intencional das contas públicas, cabe destaque:

Pressão de custos: a alta de 60% no petróleo Brent, devido a conflitos no Oriente Médio (EUA, Israel e Irã), gerou um 'choque de energia' que encarece combustíveis e fretes.

Crescimento lento: embora o aumento do petróleo possa beneficiar a balança comercial e o PIB de forma marginal, o custo elevado de produção e a resiliência dos núcleos de serviços pressionam o Banco Central a manter os juros altos, o que trava o crescimento econômico robusto.

Contexto global: países na Europa já reconhecem oficialmente o risco de estagflação em 2026, o que aumenta a cautela no mercado brasileiro. 

Sete capitais registram avanço inflacionário

No âmbito municipal, tal tendência regressiva também está presente, uma vez que todas as sete capitais pelo Ibre-FGV (Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas) registraram avanço nas respectivas taxas de variação do IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor – Semanal), que exibiu alta de 0,91%, da última quadrissemana de março para a primeira quadrissemana de abril de 2026. Dessa forma, o índice passou a acumular variação de 3,87% nos últimos 12 meses, sob a liderança da carestia cabendo a Salvador (1,88%), impulsionada pelos preços de gasolina (16,83%). Em contrapartida, São Paulo (0,59%) apresentou a menor variação, como reflexo do menor reajuste da gasolina (5,79%).  

Outro referencial da inflação mostrou progressão mais significativa que o anterior. Igualmente medido pela Fundação, o IGP-DI – Índice Geral de Preços - Disponibilidade Interna, utilizado para reajuste dos aluguéis e ativos do mercado financeiro – cresceu 1,14% em março, revertendo por completo o recuo de 0,84% observado no mês anterior. Uma das explicações para a arrancada estaria relacionada aos efeitos negativos do conflito geopolítico no Oriente Médio.

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