Taxação de importações condena competitividade tecnológica

Medida federal aprofunda ‘sucateamento’ da indústria nacional

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Marcello Sigwalt

Uma maquiagem de quinta categoria, que levou três longos anos de mandato para se desmanchar e mostrar a verdadeira face de uma gestão federal, marcada pela irresponsabilidade fiscal e descompromisso que colocam ‘em xeque’ o futuro econômico do país, com exceção de inúmeros programas assistencialistas de cunho eleitoreiro.

Relegando a segundo plano o princípio republicano de equilíbrio das contas públicas, o Executivo optou por 'fazer caixa', por meio da elevação de alíquotas de importação de 1.200 produtos do setor de bens de capital (BK) e de informática e telecomunicações (BIT), a título de obter uma receita adicional de R$ 20 bilhões, aponta editorial recente do jornal Valor Econômico.

'Tiro no pé' – Mas, talvez, a sequela mais grave dessa doença perdulária crônica é o agravamento do já extremo protecionismo que caracteriza a indústria tupiniquim, um verdadeiro ‘tiro no pé’, justamente no momento de acirramento da competição global, a reboque de uma revolução tecnológica em ritmo acelerado, que vem redefinindo o ‘mapa da produção global’. O resultado prático é o atraso tecnológico crônico do setor fabril nacional ante à vanguarda tecnológica do exterior, quando este deveria continuar a ser o motor do crescimento econômico.  

Em vez disso, a saraivada fiscalista se generalizou, passando da isenção para 7% (mesmo diante da ausência de similar nacional), caso de bens de capital, informática e de telecomunicações. Como exemplo, uma alíquota de 7,1% subiu para 12,6%; a de 12,7% passou a 20% e a de 20%, assim ficou. O espectro de áreas atingidas não poupa fabricantes de cerveja, calçados e têxteis, mas igualmente ordenhadeiras, robôs industriais, logística e petróleo.

'Desculpa esfarrapada' – Nem mesmo a ‘desculpa esfarrapada’ de ‘proteger a indústria nacional’ se sustenta, a julgar pela decisão do Planalto de, no contexto do programa ‘Nova Indústria Brasil’, elevar, de 14% para 25%, a alíquota incidente em bens ditos ‘estratégicos’.

Também são exemplos dessa ‘estratégia’, altas, de 7,2% para 18%, de servidores de grande capacidade, o mesmo valendo para equipamentos de ‘muito grande capacidade’, cujo percentual saltou de 3,6% para 25%. Como justificativa para tal majoração, a ser suportada, tanto pela indústria, quanto pelos consumidores, o governo se limitou à expressão lacônica: ‘realinhamento de preços’. Espelho da voracidade fiscalista, 62,2% dos bens de capital importados estão hoje sujeitos a uma taxa de 12,6%, em média.

Baixa competitividade – O pano de fundo da medida protetiva patrocinada por Brasília é o fato de as exportações, sejam de bens de capital ou de informática, terem permanecido estagnadas no período de 2010 a 2021, o que sinaliza o ‘papel relevante’ desempenhado pela proteção tarifária como indutor da baixa competitividade da indústria.  

Legado dos ‘anos de chumbo’ da ditadura militar, a ‘Lei de Informática’ condenou o respectivo setor à obsolescência, quando este deveria responder pelo desenvolvimento e modernização tecnológica nacionais. Como diz o ditado: “a seta lançada, a palavra dita e a oportunidade perdida não voltam jamais”.  


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