Marca do atraso, Custo Brasil subtrai R$ 1,7 tri do país
Protecionismo, juros, corrupção e insegurança jurídica compõem ‘sangria’
Marcello Sigwalt
Um ‘Everest’ de R$ 1,7
trilhão ou 20% de tudo o que o país produz em um ano, literalmente ‘jogado pelo
ralo’. Esse é o montante do chamado ‘Custo Brasil’, já atualizado para 2026,
que resulta de aspectos protecionistas, de corrupção, de insegurança jurídica,
de atrasos tecnológicos e de juros elevadíssimos, que matam investimentos e
empregos, mas fazem a ‘felicidade’ de banqueiros de todos os naipes.
Nesse cálculo, se exclui
qualquer efeito exógeno de guerras geopolíticas espúrias, como o do Irã – para vender
petróleo e catapultar os lucros da máquina de guerra, ao preço de sangue
inocente – que promete mergulhar o planeta em uma crise energética sem
precedentes, quando não em conflito nuclear, talvez definitivo.
Fiel escudeiro – Destrinchando mais de perto os fatores que confinam a
economia tupiniquim ao nanismo crônico, um dos maiores destaques é o aperto
monetário perpetrado pelo Banco Central (BC), fiel escudeiro de um gestão
econômica esquerdista propositalmente perdulária, que eterniza a Selic (taxa
básica de juros) a um patamar asfixiante de 14,75% ao ano (o maior em 20 anos),
que deve continuar caindo, como se diz no jargão popular, a ‘passos de cágado’,
ou seja, muito lentamente, assim condenando milhões à indigência absoluta. Desse
modo, continua garantida a longevidade do posto de segunda taxa de juros mais
alta do mundo.
Materialização da máxima
“criar dificuldade, para vender facilidade”, a complexidade tributária é outra ‘carrasca’
responsável, por 70% dos empresários brasileiros, pela perda crescente de
competitividade do produto ‘made in Brazil’ interna e externamente, mediante a
subtração de R$ 310 bilhões, que é o custo de conformidade fiscal da insaciável
voracidade federal.
Carga ‘barnabé’ – Beirando hoje os 33% do PIB, a carga tributária obriga o
cidadão a trabalhar quatro meses no ano para sustentar salários milionários da
máquina pública (incluindo os ‘podreres’ Executivo, Legislativo e Judiciário),
em que o teto mensal de ‘fachada’ de R$ 46 mil permite que ao ‘barnabé’ da Esplanada
e assemelhados a ‘queimarem’, aproximadamente, um salário mínimo (R$ 1.700), mas
por dia...
Enquanto no ambiente corporativo
predomina a insegurança jurídica e a ‘burrocracia’, que inflam os custos
operacionais, a precariedade da infraestrutura, não raro, é a causa primária da
constante paralisação de obras, além de gargalos logísticos, que comprometem a
capacidade competitiva das indústrias.
Preço da ineficiência – Em suma, a insuficiência de infraestrutura em transportes,
energia e telecomunicações responde por um ônus de R$ 284 bilhões anuais, ao
passo que os recorrentes déficits na qualificação da força de trabalho impõem um
custo adicional anual de até R$ 360 bilhões.
A despeito de calibrados
discursos pré-eleitoreiros, as projeções do IPCA (Índice de Preços ao
Consumidor Amplo) – o indicador oficial de inflação – apontam uma resiliente
alta, nesse início do ano, colocando mais pressão sobre os custos de vida do
contribuinte e de produção, para o parque fabril. Também se insere na perda de
competitividade pátria o fato de que os consumidores do ‘mercado cativo’ arcaram
com um custo de energia 100% superior ao de seus pares no ‘mercado livre’.
Desconfiança do pleito – Em perspectiva, o ano corrente já embute uma série de variáveis
adversas, a começar pela progressiva desconfiança em relação ao cenário
eleitoral em curso, acompanhada da expectativa de alta inflacionária, que reduz
o poder de compra e expande o desemprego.
Estimada pelo “Observatório do Custo Brasil”, o indicador constitui
ferramenta para acompanhamento de dados, lançada pelo MBC (Movimento Brasil
Competitivo), em conjunto com o MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria,
Comércio e Serviços), com apoio técnico da FGV (Fundação Getulio Vargas).
Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), com o valor trilionário poderiam
ser construídos 10.200 hospitais ou 472 mil novas escolas de ensino médio.

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