Guerra EUA-Irã pode resultar em crise energética global
Paralisação da produção de
petróleo no Golfo Pérsico se alastra
clickpetroleoegas.com.br
Marcello Sigwalt
Uma crise energética global de impactos imprevisíveis. É essa a previsão
consensual de especialistas em geopolítica, ao observarem o agravamento do
conflito entre os Estados Unidos e o Irã, no 'palco' do Golfo Pérsico.
Com o travamento do fluxo de petróleo no Estreito de Ormuz,
exportadores estão sendo forçados a redirecionar seus navios para rotas mais
extensas, rumo ao Mar Vermelho, o que impõe custos adicionais, em paralelo a cortes de produção pelas refinarias – cujos tanques de armazenamento já atingiram
capacidade máxima – face à escalada de ataques de drones e barragens de misseis
procedentes do país persa.
Idêntica ameaça motivou o Iraque a fechar seus campos de
petróleo e o Kuwait a reduzir a produção em alguns campos, por
não dispor de condições de armazenagem para o petróleo bruto engarrafado, revelou o
Wall Street Journal. Do mesmo modo, o Catar anunciou o cancelamento dos
embarques.
O alastramento da crise poderá desencadear novos cortes de
produção de outros países produtores, prevê o analista de commodities do UBS
Group AG, Giovanni Staunovo. “Se o estreito permanecer fechado, todos sentirão
isso e terão de reduzir a produção quando o armazenamento atingir o nível
máximo dos tanques, pois os oleodutos não permitem desviar tudo”, comentou.
Outra sequela exposta da guerra é o bloqueio do fornecimento de
petróleo e gás a grandes clientes da Ásia e da Europa, enquanto os preços da
energia disparam. A paralisação no deslocamento de navios-tanque (e de sua
carga multimilionária) tende a se acentuar, à medida que se multiplicam os
ataques.
No que toca à cotação do ‘ouro negro’, este subiu para U$ 90 por
barril, maior patamar em dois anos, ao passo que os futuros do petróleo
chegaram a US$ 89. Na ausência de qualquer chance de armistício, o Goldman
Sachs projeta que o insumo deve aumentar para US$ 100, caso a guerra se prolongue
por mais tempo.
Na tentativa de amenizar o problema, o presidente dos EUA, Donald
Trump acenou ‘ação iminente’ para baixar os preços, a exemplo da
decisão, divulgada pelo Departamento do Tesouro ianque, de levantar restrições à capacidade da Índia de adquirir o petróleo russo.
A volatilidade predominante fez com que o petróleo registrasse
valorização de 35,63% na semana, a maior da série histórica do contrato futuro,
iniciada em 1983, em que o tipo Brent – referência internacional – avançou 28%, maior
alta semanal em seis anos.

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