'Desgovernança' climática impõe perda anual de R$ 38 bi
Queimadas se alastram, mesmo com o recuo do desmatamento
Marcello Sigwalt
A ausência de
governança climática é um dos principais fatores para a ‘explosão’ de queimadas
no país, que cresceram 176% no Pantanal; 492% na Mata Atlântica e, menor
proporção no Cerrado (92%) e na Amazônia (68%), perfazendo 5 mil ocorrências e uma
perda de R$ 38 bilhões, a despeito do recuo de 32,4% no desmatamento (cerca de 1,24
milhão de hectares de vegetação), no ano de 2024, aponta a 2ª edição do Anuário
estadual de mudanças climáticas.
Embora identifique
avanços institucionais, a publicação – elaborada, de forma conjunta, pelo
Centro Brasil no Clima (CBC) e pelo Instituto Clima e Sociedade (iCS),
com apoio do Instituto Itaúsa, reunindo dados sobre governança,
financiamento, emissões, uso da terra, energia, transportes, agropecuária e
gestão de riscos – constata que, dos 26 estados, mais o Distrito Federal, apenas
quatro (Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Piauí) detêm planos de ação climática
integrados e 19 possuem fundos climáticos estruturados. Nesse contexto, unidade
da federação alguma desenvolve política pública de longo prazo.
Entre especialistas,
a constatação de consenso é de que a governança climática verde-amarela encara ‘desafios
críticos’, como, o citado ‘desmatamento’, eventos extremos (secas e enchentes),
além de falta de coordenação institucional. Sob o viés de política pública, persistem
entraves, a exemplo de dependência de modelo tradicional, gargalos orçamentários,
além de medidas de adaptação locais, tendo em vista uma mitigação eficaz das
emissões de de gases de efeito estufa.
A seguir, elencamos
os maiores problemas vinculados à governança climática:
· Centralização e falta de planejamento local: a estrutura é considerada defasada
e centralizada, reduzindo a eficácia nas pontas. Apenas quatro estados possuem
planos de ação climática integrados (mitigação e adaptação).
· Desmatamento e uso da terra: o desmatamento, especialmente na Amazônia e Cerrado, continua
sendo um grande desafio, comprometendo a capacidade de sequestro de carbono.
· Desafios financeiros e corrupção: falta de financiamento contínuo para políticas de longo prazo e
riscos de corrupção que fragilizam mercados de carbono e medidas de adaptação.
· Desigualdade na adaptação: eventos climáticos extremos, como os recordes de 2024, causam
prejuízos superiores a R$ 38 bilhões, impactando mais fortemente populações
vulneráveis e áreas rurais.
· Conflito desenvolvimento x sustentabilidade: a persistência de uma perspectiva
desenvolvimentista muitas vezes entra em choque com as metas de preservação
ambiental.
· Falta de ação municipal: apesar da importância da governança policêntrica, poucos
municípios brasileiros possuem políticas efetivas de mudanças climáticas.
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