Crise energética global abre espaço para matriz limpa
Efeito imprevisível de conflito
geopolítico favorece sustentabilidade
Enquanto as atenções de terráqueos de todos os quadrantes se concentram em
torno do desfecho imprevisível do conflito no Oriente Médio – que envolve a disputa
pela supremacia geopolítica entre superpotências – o acirramento da crise dos
combustíveis fósseis abre perspectiva, em paralelo, para a retomada, ainda que
gradual, de investimentos em energias limpas e da sustentabilidade como
princípio de desenvolvimento econômico.
O grau de incerteza no campo energético pode ser medido pela súbita
elevação do preço do petróleo, cujo barril do tipo Brent saltou, em poucos dias
de confronto bélico, de US$ 60 para R$ 90, mas com potencial de alcançar R$ 150,
a depender da volatilidade dos acontecimentos.
Mesmo considerando que a transição energética se mantém no terreno das ‘promessas’,
existem fatores que favorecem sua implantação, ao menos, no longo prazo, como
alternativa à grande dependência externa atual por petróleo. Entre esses fatores,
se destacam:
· Segurança energética: A alta
volatilidade do petróleo faz com que governos busquem fontes locais (eólica,
solar, hidrogênio) para garantir a independência energética, reduzindo a
exposição a crises internacionais.
· Competitividade econômica: Com o petróleo
caro, o custo da energia renovável torna-se cada vez mais atraente e, em muitos
casos, mais barato a longo prazo.
· Investimento recorde: A instabilidade
dos fósseis tem impulsionado investimentos recordes em transição energética. Em
2025, o investimento global em energia limpa superou o de combustíveis fósseis
pela segunda vez, ultrapassando US$ 2,3 trilhões.
· Eletrificação e adoção
de veículos elétricos: O alto custo da gasolina e do diesel acelera a transição
para veículos elétricos e eficiência energética, diminuindo a demanda futura
por petróleo.

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