Crise energética global abre espaço para matriz limpa

Efeito imprevisível de conflito geopolítico favorece sustentabilidade


Marcello Sigwalt

Enquanto as atenções de terráqueos de todos os quadrantes se concentram em torno do desfecho imprevisível do conflito no Oriente Médio – que envolve a disputa pela supremacia geopolítica entre superpotências – o acirramento da crise dos combustíveis fósseis abre perspectiva, em paralelo, para a retomada, ainda que gradual, de investimentos em energias limpas e da sustentabilidade como princípio de desenvolvimento econômico.

O grau de incerteza no campo energético pode ser medido pela súbita elevação do preço do petróleo, cujo barril do tipo Brent saltou, em poucos dias de confronto bélico, de US$ 60 para R$ 90, mas com potencial de alcançar R$ 150, a depender da volatilidade dos acontecimentos.   

Mesmo considerando que a transição energética se mantém no terreno das ‘promessas’, existem fatores que favorecem sua implantação, ao menos, no longo prazo, como alternativa à grande dependência externa atual por petróleo. Entre esses fatores, se destacam:  

·    Segurança energética: A alta volatilidade do petróleo faz com que governos busquem fontes locais (eólica, solar, hidrogênio) para garantir a independência energética, reduzindo a exposição a crises internacionais.

·       Competitividade econômica: Com o petróleo caro, o custo da energia renovável torna-se cada vez mais atraente e, em muitos casos, mais barato a longo prazo.

·   Investimento recorde: A instabilidade dos fósseis tem impulsionado investimentos recordes em transição energética. Em 2025, o investimento global em energia limpa superou o de combustíveis fósseis pela segunda vez, ultrapassando US$ 2,3 trilhões.

·   Eletrificação e adoção de veículos elétricos: O alto custo da gasolina e do diesel acelera a transição para veículos elétricos e eficiência energética, diminuindo a demanda futura por petróleo. 

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