Crise do petróleo pode ‘derreter’ economia nacional

Elevação cavalar da commodity expõe fragilidade fiscal verde-amarela

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Marcello Sigwalt

À espera da ‘tempestade perfeita’: o agravamento do conflito geopolítico do tipo ‘quem manda no mundo’ ganha magnitude de crise econômica global e encontra o Brasil em momento de aguda fragilidade fiscal, a ponto de comprometer seu futuro econômico, talvez, de maneira irreversível.

Sucessivos déficits orçamentários; dívida pública em trajetória explosiva e uma rigidez orçamentária que inviabiliza a capacidade de investimento público compõem a tríade adversa que potencializa a vulnerabilidade brasileira a choques externos, assim como a incapacidade de resposta do Executivo, ante uma potente onda de volatilidade decorrente do choque do petróleo no Oriente Médio.

Se há alguma ‘virtude’ nesse ‘cenário explosivo’, ela seria a exposição do já inoperante aperto monetário do Banco Central (BC), face à previsível escalada inflacionária. Tudo isso há muitos meses do pleito eleitoral, patrocinador maior do desencontro (proposital e eleitoreiro) das contas públicas.

Do ponto de vista cambial, o terremoto geopolítico protagonizado por EUA e Irã foi suficiente para cimentar a saída de US$ 3,9 bilhões de recursos externos) do país, no corrente mês, até o último dia 6, segundo apontam dados do BC.

Pelo canal financeiro – que compreende investimentos estrangeiros diretos e em carteira, remessas de lucro e pagamentos de juros, entre outras operações porém, a evasão foi mais substancial, chegando a US$ 6,812 bilhões, em igual período. Em contraponto, no canal comercial, o saldo foi positivo em US$ 2,915 bilhões.

Efeitos da ‘maré altista’ do petróleo sobre a economia tupiniquim:

  • Inflação persistente (IPCA): o petróleo impacta diretamente o IPCA (com peso de 5% da gasolina), e com a crise, essa alta é transmitida rapidamente ao consumidor final, elevando os custos de logística e alimentos, o que desancora expectativas inflacionárias.
  • Limitação de subsídios: com baixo espaço fiscal, o governo federal tem dificuldade em subsidiar combustíveis para amortecer o choque na bomba, ao contrário de crises anteriores. Tentar segurar preços artificialmente pode gerar um "colapso fiscal" ou "dominância fiscal", onde a dívida cresce descontroladamente e o Banco Central perde a capacidade de controlar a inflação via juros.
  • Alta de juros e dívida: a necessidade de conter a inflação (gerada pelo petróleo) força o Banco Central a manter juros altos (selic), o que aumenta o custo de rolagem da dívida pública, agravando o desajuste fiscal.
  • Dependência de derivados: apesar de o Brasil ser um grande produtor de petróleo, o país é deficitário na produção de combustíveis derivados (refino), o que força a importação e expõe o orçamento a altas do dólar e do petróleo simultaneamente.
  • Risco de "fuga de investimentos": a instabilidade fiscal, somada à incerteza sobre preços internos, gera desconfiança no mercado, inibindo investimentos de longo prazo e reduzindo a competitividade nacional (IA). 

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