Cadeias de suprimento seguras, a senha para minerais críticos
Segundo o BID, setor deve movimentar US$ 770 bilhões até 2040
Marcello Sigwalt
Uma estratégia que combine governança pública, apoio ao desenvolvimento industrial e sustentabilidade. Essa é a receita, ainda que preliminar, a ser adotada, de maneira a garantir que as cadeias de suprimento dos chamados ‘minerais críticos’ (lítio, nióbio, grafita, terras raras, cobalto e níquel) tornem-se seguras e resilientes.
Essenciais para a
consolidação da transição energética e de tecnologias de baixo carbono (exemplo
de baterias, ímãs permanentes e painéis solares), tais minerais constituem
fator de garantia, tanto da soberania nacional, quanto do desenvolvimento
industrial.
Em linha com essa
visão, o presidente do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), Ilan
Goldfajn, entende que sua instituição poderá atuar como ‘ponte’ entre os
setores público e privado, acentuando que a indústria de minerais críticos não
‘depende, necessariamente’ de subsídios públicos para sua expansão.
Uma vez implantado o modelo
seguro das cadeias de suprimento, Goldfajn prevê que esse mercado deverá
movimentar até US$ 770 bilhões até 2040, mediante a celebração de contratos com
perfil de longo prazo (de 20 a 30 anos), o que asseguraria uma demanda firme,
tendo em vista investimentos permanentes nos países produtores.
Na avaliação do dirigente
do BID, tal ‘arranjo’ seria capaz de reduzir a necessidade de subsídios, além
de elevar a competitividade e previsibilidade junto aos investidores. Essa
dinâmica, acrescenta, seria compatível com um preceito fundamental: um setor
público ‘fiscalmente responsável’.
Ao destacar que o setor
privado exerce um papel crucial para viabilizar os investimentos na cadeia
produtiva dos minerais críticos, Goldfajn adianta que o banco deve lançar, em
breve, a BID LAC Minerals, cujo objetivo básico é ‘aproximar governos, empresas
e investidores, de modo a ampliar a participação da região nas etapas de maior
valor da indústria.
Avançando no tema, o
presidente do BID comentou que a meta, muito além da mera extração dos citados
recursos, é no sentido de ‘garantir avanços nas etapas de processamento, refino
e manufatura, visando criar empregos e agregar valor para as economias da
América Latina’.
Admitindo o ‘alinhamento’
de interesses entre os países acionistas do BID – os Estados Unidos, o maior
deles, detém 30% do capital da instituição, ante 11% do Brasil – Goldfajn atesta
que, no momento, ‘há interesses comuns’ na empreitada.
No que se refere a aporte
de recursos, ele revelou que o BID pretende financiar até US$ 500 bilhões na América Latina e no
Caribe na próxima década, mais do que o dobro do mobilizado nos dez anos
anteriores. “Nós não estamos envolvidos na discussão de qual preço, como, qual
vai ser. O que eu digo é que há uma avenida a explorar com contratos longos,
com uma percepção de que se quer gerar essa produção de valor aqui. E, portanto,
apoiando o setor privado, nós temos uma chance de chegar na competitividade
necessária”, afirmou.
Da parte do
Executivo tupiniquim, por sua vez, o Ministério de Minas e Energia (MME)
divulgou as seguintes ações necessárias e propostas legislativas:
Definição de uma política nacional robusta: aprovação da Política Nacional de Minerais Críticos e
Estratégicos (PNMCE), que estabelece diretrizes claras para mapear e priorizar
a exploração desses materiais.
Investimento em processamento local (agregação de valor): estabelecer metas para que a maior parte dos minerais
extraídos seja processada internamente (ex: meta de 80% para terras raras),
transformando o país de exportador de matéria-prima bruta em produtor de
componentes industriais.
Segurança jurídica e licenciamento ambiental: agilizar a tramitação de projetos estratégicos na Agência
Nacional de Mineração (ANM) e no MME, garantindo ao mesmo tempo rigor nos
parâmetros de segurança ambiental, como a redução de rejeitos e o descarte
correto.
Financiamento e desoneração: criação de políticas públicas para "bancar"
projetos de pesquisa e mineração, incluindo incentivos fiscais (desoneração) e
financiamento de longo prazo para minerais cruciais para a transição
energética.
Reciclagem e economia circular: investir em tecnologias para a reciclagem de metais a partir
de produtos usados, reduzindo a dependência da mineração primária.
Cooperação internacional: fortalecer o
papel do Brasil nas cadeias globais de suprimento, dialogando com parceiros
multilaterais para promover um fornecimento equilibrado e responsável.

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