Desajuste fiscal e guerra condenam país à estagflação

Cenário de inflação em alta e economia em colapso ‘assombram’ 2026

                                                          zeebiz

Marcello Sigwalt

A política de aperto monetário, restritiva e concentradora de renda acabou encontrando a desculpa perfeita para justificar a pior condição para a economia brasileira: a estagflação, combinação perversa de inflação crescente com estagnação econômica, em decorrência da crise energética global deflagrada pelo ataque dos EUA ao Irã.

Esse cenário temerário, traçado agora, pelo Banco Central (BC), daria respaldo 'perfeito' para a manutenção da Selic (taxa básica de juros) no patamar sufocante de 14,75% ao ano, a maior do mundo, cuja eficácia incontestável é servir de 'catapulta' para a já extrema concentração de renda em Pindorama.

O conflito geopolítico no país persa (jamais vencido em batalha), preveem  especialistas, deverá mergulhar o planeta, em breve, em novo ‘choque de oferta’, escalada inflacionária e comprometimento do crescimento da economia global.

O mais interessante é notar que essas conclusões integram o Relatório de Política Monetária (RPM), divulgado recentemente pela autarquia central, ao admitir que, mesmo diante da desaceleração econômica, os juros devem continuar a subir, a reboque da ‘deterioração’ das expectativas de inflação.   

A indignação da hora fica por conta da ‘perda de timing’ para o devido ajuste fiscal, prioridade republicana desprezada pela atual gestão federal, condição elementar para que o BC pudesse reduzir a Selic, o que não foi feito e, talvez, nem será, a depender da longevidade do conflito geopolítico motivado por ambições imperiais ianques.

A manutenção, meses a fio, de juros estratosféricos – medida monetária monolítica praticada pela autarquia, para que o Planalto financiasse sua gastança eleitoreira, junto a um mercado cada vez mais desconfiado – deve derrubar o ímpeto de crescimento, nesse início do ano, além de ampliar a taxa de desemprego (5,8% da população economicamente ativa e 6,2 milhões de pessoas procurando trabalho) e encarecer o crédito. Neste último caso, acentua-se que, para cada alta de 1 ponto percentual na Selic, cai 3,7% o nível médio das concessões de crédito nas linhas de prazo mais longo.  

Nem mesmo o que poderia ser considerada uma vantagem competitiva – o perfil de grande produtor de petróleo, por parte da pátria tupiniquim – se sustenta, na visão do Copom (Comitê de Política Monetária), que atesta: “Embora alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar, os efeitos agregados predominantes do conflito, na economia global e na doméstica, devem ser os usuais de um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e diminuindo o crescimento”.

Quatro anos antes, o mesmo colegiado explicou, de forma didática, a perspectiva no curto e médio prazos: “Um choque negativo de oferta [aqui definido como aumentos nos preços de combustíveis, energia elétrica e alimentação no domicílio] que reduza o poder de compra das famílias em 1 ponto percentual, igualmente reduziria o volume de bens consumido em 1,5 ponto percentual, de forma rápida, em poucos meses”. 

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