Selic estratosférica ‘patrocina’ saque recorde da poupança
Aperto monetário favorece saída líquida de R$ 23,5 bi da aplicação
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Marcello Sigwalt
Crise no financiamento imobiliário; juros incidentes nos empréstimos do setor em ascensão; maior restrição de crédito para aquisição de imóveis; migração
para aplicações mais rentáveis e menor disponibilidade de recursos para o Agro.
Essas são algumas das graves consequências
do aperto monetário de uma gestão federal perdulária, que também redundou no
saque em massa da poupança de R$ 23,5 bilhões em janeiro último, o maior
ocorrido no período de um ano. Na verdade, a ‘queda livre’ da aplicação é uma
tendência que se consolida, desde o ano passado, quando acumulou um rombo de R$
85,57 bilhões.
‘Fosso alargado’ – Tal movimento é
descrito por especialistas como ‘efeito dominó’, a reboque de uma política
contracionista patrocinada pelo Banco Central (BC) que, a despeito do discurso
populista do Executivo de plantão, só faz aumentar mais a concentração de renda
no país e o fosso em relação aqueles que o sustentam com seus impostos.
‘Dissecando’ o tamanho da crise que se
avoluma sobre as cabeças tupiniquins, a crise do financiamento imobiliário tem
como cerne o fato de que a poupança é sua principal fonte de recursos (funding),
no contexto do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE).
Custo sobe – Se os recursos das
cadernetas se tornarem escassos, automaticamente, os bancos terão de buscar
fontes de captação mais caras, religiosamente repassadas ao consumidor, que é
sempre quem paga a conta. A título de exemplo, a Caixa Econômica Federal (CEF),
gestora da poupança, acaba de aumentar para 11,19% suas taxa de financiamento
imobiliário.
No que toca à restrição de crédito, o reflexo
imediato é a redução acentuada do percentual financiável do valor do imóvel,
que despencou dos 80% anteriores, para um intervalo de 50% a 70%, mediante
entradas mais substanciais, por parte dos compradores. No paralelo, o valor mínimo
das operações de financiamento na taxa de balcão dobrou para R$ 100 mil.
Escassez iminente – Outra ‘sequela’
dessa política predatória para quem trabalha e produz é a iminente escassez de
recursos direcionados ao crédito rural, o que deve comprometer o custeio da
produção agrícola e as 'festejadas', até aqui, safras recordes.
No mercado financeiro, a manutenção da Selic
em níveis elevados igualmente ‘premia’ a transferência do dinheiro da poupança para
aplicações de maior rentabilidade, como é o caso do Tesouro Direto, CDBs (Certificados de Depósito Bancário) e
fundos de investimento.
Entre os fatores que contribuem para a ‘sangria’ da poupança, destaque
para:
Despesas sazonais: Janeiro
é tradicionalmente um mês de alto volume de saques devido a compromissos
financeiros de início de ano, como o pagamento de IPVA, IPTU matrículas e
materiais escolares.
Juros elevados (Selic): Com a
taxa Selic mantida em 15% ao ano, a rentabilidade da poupança torna-se
menos atrativa em comparação a outros investimentos de renda fixa, como o Tesouro
Direto e CDBs, que oferecem retornos significativamente maiores.
Endividamento das famílias: O
nível de comprometimento da renda com dívidas atingiu patamares recordes,
levando muitos brasileiros a resgatarem a reserva da poupança para quitar
débitos ou cobrir o consumo imediato sob pressão inflacionária.
Sofisticação financeira: Há
uma migração estrutural de investidores que buscam ativos com melhor desempenho
real frente à inflação, uma vez que a poupança frequentemente perde para o CDI (Certificado de Depósito Bancário).

Selic patrocina 'sangria' da poupança
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