Ressaca do Carnaval exala fortes sinais de estagnação econômica

Choque de realidade sobre desaceleração da economia vem por aí


                                                                           nicematin 

Marcello Sigwalt

Retrato em preto e branco da ‘queda livre’ da economia brasileira, o principal indicador da atividade do Banco Central (BC), o IBC-Br apresentou um ‘tombo’ monumental na passagem de 2024 para 2025, quando despencou de 3,8% para 2,5%, o que corresponde a um forte recuo em torno de 32,5%.

Mas o pior mesmo parece estar por vir. Passada a ilusão carnavalesca, vem por aí, ligeiro, o choque de realidade imposto por um governo pautado pela gastança desmedida, que estimula artificialmente o consumo e cuja inflação resiliente tem sido parcialmente contida por uma taxa de juros (Selic) exorbitante (15% ao ano), que logo vai causar uma quebradeira de empresas, sem precedentes no país.

‘Realidade sombria’ – Confirmando a desaceleração econômica ‘acelerada’ dos dados do BC, estudo elaborado por economistas do Citi atesta que o momento de aparente ‘vigor’ da economia tupiniquim – ‘solidez’ no mercado de trabalho; taxa de desemprego em 'mínima histórica' (5,3%) e expansão da massa salarial (6,4%) – escondem uma ‘realidade sombria’. Isso porque o freio na atividade “já está em curso, tanto na área econômica, quanto no mercado de trabalho, com viés para se aprofundar no curto prazo”. 

No documento “Don’t Be Fooled, a Slowdown is Underway in Activity and Labor Market” (Não se engane, uma desaceleração está em andamento na atividade e no mercado de trabalho), publicado nessa última quinta-feira (19), os executivos do Citi escreveram: “A economia doméstica permanece praticamente estagnada desde o segundo semestre de 2025 e deve enfraquecer ainda mais o mercado de trabalho daqui para frente, provavelmente interrompendo a tendência de queda da taxa de desemprego”.

Tendência regressiva – Indicador incontestável dessa tendência regressiva, após registrar alta de 1,5% no primeiro trimestre de 2025 (1T25), o PIB deu sinais claros de esgotamento, ao avançar só 0,3% no trimestre seguinte (2T25) e praticamente ficar nulo, 0,1%, no terceiro (3T25). Tal mergulho rumo à estagnação no fechamento do ano (4T25) foi observado nos principais indicadores mensais de atividade – produção industrial, insumos da construção civil, vendas no varejo e setor de serviços, que variaram 2,3%, 0,3% - 0,3%, respectivamente. 

Outro aparente paradoxo é desfeito pela equipe econômica do Citi, ao apontar que o indicador ‘emprego efetivo’ já se mostra em patamar inferior ao estimado no 2T25. De igual forma, o consumo privado perdeu tração, ao longo do ano passado, caindo de uma expansão de 2,2% ao ano, no 1T25, para não mais de 0,9% no 3T25.

Avaliação enganosa – Ao classificar de ‘enganosa’ a avaliação de que o mercado de trabalho estaria aquecido, a equipe do banco ianque destaca que a queda, de 5,9% para 5,3% da taxa de desocupação, de junho para dezembro últimos, na verdade, decorre do fato de que menos brasileiros estariam buscando emprego no fim de 2025, em lugar da criação de novos postos de trabalho. Também de junho a dezembro do ano passado, a taxa de participação da força de trabalho baixou de 62,4% para 61,9%.

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