Invadido pela geopolítica,
reino cripto vira piada
Memecoin dispara, após
‘passeio’ de Trump com pinguim na ‘Groenlândia’
Marcello Sigwalt
Ironias semânticas à
parte, a ‘pedida’ mais quente do mundo digital é entrar literalmente ‘numa fria’,
aleatória e de perfil ‘non sense’. É o caso da ‘memecoin nietzschean
penguin’ (PENGUIN), cujo valor saltou 564%, em apenas 24 horas, graças à uma
postagem, em que presidente ianque Donald Trump andava ‘de mãos dadas’ com um pinguim
que 'portava' a bandeira estadunidense, em um suposto passeio amigável à
cobiçada Groenlândia (e sus terras raras), imagem divulgada pela própria Casa Branca.
Ao deixar para trás pesos-pesados,
como Bitcoin (BTC) e Ethereum (ETH), a memecoin glacial reafirma a tendência
errática desse mercado, de valorizar memes da Internet, piadas ou tendências culturais,
ainda que efêmeras. Em contraste com os ativos digitais citados, tais ativos não
possuem utilidade real alguma, inteiramente dissociadas de fatores macroeconômicos,
mas que refletem uma reação esporádica, ante iniciativas isoladas, como a perpetrada pelo 'republicano topetudo'.
A valorização meteórica, rapidamente substituída pela pulverização de valor de mercado, no fosso do esquecimento abissal digital é a melhor tradução do desempenho desse ativo, que faz lembrar a dinâmica do 'hot money', investimento que desaparece com a mesma celeridade que surgiu, após obter a almejada rentabilidade.
O que também explica,
mesmo que parcialmente, a dianteira das memecoins sobre ativos tradicionais é a
caraterística distinta da forma de capitalização. Enquanto o BTC, para dobrar
de valor, hoje de US$ 1,8 trilhão, exigiria uma ‘injeção’ de outro U$ 1,8
trilhão, a PENGUIN tem um valor medido em centavos ou frações de centavos, em alguns
casos, demandando aporte de capital muito menor para se multiplicar de
forma exponencial.
‘Todo cuidado é pouco’ – Como a impermanência
é a palavra-chave dos tempos atuais,
dentro e fora do mundo digital, é bom que o prezado leitor e potencial
investidor tenha consciência plena dos prós e contras (principalmente, destes
últimos) que cercam as memecoins, cuja 'pinta de brincadeira' pode se transformar numa ‘dor de cabeça’, aos desavisados de plantão.
Em comum, a
trajetória desses ativos digitais repete um padrão comum: forte valorização
inicial decorrente de apelo midiático e especulação, seguida de perdas
expressivas, à medida que se aprofunda o desinteresse.
Características centrais:
Volatilidade: preços podem disparar ou despencar em poucas horas.
Influência cultural: valor impulsionado por redes sociais, influenciadores e
celebridades, não por fundamentos técnicos.
Falta de utilidade: diferente de projetos como Bitcoin ou Ethereum, a maioria das
memecoins não oferece utilidade prática, sendo muitas vezes consideradas
"shitcoins".
Especulação: alta propensão a riscos de fraudes e projetos que visam apenas o
hype passageiro.
Como um big brother digital, ao primeiro ‘surto’ de comoção coletiva em torno de uma memecoin, o valor desta passa a disparar. São exemplos disso:
- Shiba Inu (SHIB): valorização de 54.000.000% em dez meses;
- Dogecoin (DOGE): valorização de 140 vezes;
- Pepe (PEPE): ganhos superiores a 15.000%;
- Bonk (BONK): valorização acima de 25.000% no auge;
Também são exemplos desse tipo de moeda digital: Official Trump (TRUMP), Goatseus Maximus (GOAT) e Numogram (GNON) também são outros exemplos de valorizações notáveis. Fonte: Livecoins.
'Chamuscado' – Tal inversão de
preferência de investimento cripto ocorre no momento em que o bitcoin começa
2026 fortemente ‘chamuscado’ pela extrema volatilidade do ano anterior, quando despencou
de um pico de U$ 126 mil para US$ 88 mil, em dezembro último, seu pior
desempenho desde 2022.
Na mesma ‘toada’ regressiva, o Ethereum, vice em valor de mercado, igualmente recuou 10%, passando de R$ 4,9 mil em agosto do ano passado, para não mais do que US$ 2,9 mil, em dezembro de 2025. Tal perda, porém, se ampliou para 20%, no início de 2026.

Comentários
Postar um comentário