IA pode elevar disparidade entre países ricos e emergentes
Composição setorial alargaria o ‘fosso’ entre avançados e
pobres
Marcello Sigwalt
Ao contrário do que ‘vendeu’
a tecnologia, décadas a fio, a disseminação da Inteligência Artificial (IA)
deverá aprofundar, ainda mais, a distância que separa economias avançadas de
emergentes ou subdesenvolvidas, como a do Brasil. É o que aponta estudo do
Banco de Compensações Internacionais (BIS, na sigla em inglês) – o banco
central dos bancos centrais – para quem, os efeitos da IA sobre a produtividade
e crescimento apresentam ‘variações’ significativas.
Composição setorial – Ao explicar que as
diferenças de ganhos entre países estão diretamente relacionadas à sua
composição setorial, o BIS destaca que setores, como finanças, educação e informação
estão mais expostos à IA – por serem mais intensivos no uso de tarefas
cognitivas e informacionais – em contraste com os de agricultura, transporte e
construção civil (predominantes entre os emergentes), que teriam ‘menor
potencial’ de aplicação imediata da tecnologia generativa. Neste caso, sua ‘forte
heterogeneidade’ como característica estrutural inibiria, no curto prazo, o
potencial de ganhos.
De maneira geral, a
aplicação da IA generativa é capaz de ampliar, entre 10% e 65%, a produtividade
para tarefas específicas, o que pode implicar ‘avanços relevantes’ em áreas
como programação, consultoria e redação profissional.
Incertezas – Ao mesmo tempo, o
trabalho do BIS indica que, assim como permanece incerto o ganho tecnológico
sobre a produtividade total no nível agregado, o mesmo preceito vale para o impacto
macroeconômico da ferramenta, que ostenta expressiva variação.
A princípio, projeções
inseridas no documento apontam que a IA permite uma elevação anual de
produtividade de apenas 0,07%, ao passo que outras modalidades tecnológicas
podem atingir ganhos anuais entre 0,3% a 0,9%. De qualquer sorte, tais
resultados estão condicionados a fatores, como realocação de recursos entre
setores; má alocação de capital e trabalho, além de velocidade de adoção da
tecnologia.
Disparidades – Como alternativa
visando reduzir as disparidades entre nações avançadas e atrasadas, o estudo
propõe:
·
Investimentos em infraestrutura
digital.
·
Qualificação da
força de trabalho.
·
Fortalecimento
institucional.
Em uma perspectiva
mais longa, porém, essas diferenças podem, inclusive, se ampliar, caso as ‘lacunas
de preparação’ persistam. Exemplo disso é o resultado de uma simulação, segundo
a qual, um aumento sustentado de 0,5% ao ano na produtividade, sob o impulso da
IA ao longo de dez anos, seria suficiente para elevar em mais de dois pontos
percentuais o PIB real médio das economias avançadas, ante aquele dos emergentes.
Convergência – Se, porém, houver
uma ‘convergência parcial’, com redução pela metade dessa diferença de prontidão,
em comparação com a economia dos EUA, o diferencial de crescimento poderia ficar
abaixo de um ponto percentual.
Instituição
financeira internacional fundada em 1930 na Basileia (Suíça), o IBS exerce a
função de fórum de cooperação monetária e de supervisão para bancos centrais de
63 países, que respondem por 95% do PIB mundial.

IA aumento fosso ricos-pobres
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