Erros monetários e
regulatórios freiam avanço da energia solar
Ainda assim, segmento
de geração distribuída deve crescer 15%

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Marcello Sigwalt
Medidas regulatórias, como a ‘taxa do sol’ (incidente na geração
distribuída, que impactou a viabilidade financeira de projetos); manutenção da
Selic (taxa básica de juros) em 15% ao ano, além de limitações na
infraestrutura da rede elétrica.
Com esse combo adverso de fatores, a energia solar exibiu forte
desaceleração, ao ter sua potência instalada reduzida em 29% no ano passado,
ante o anterior, sem contar uma retração de 40% dos investimentos do setor.
Potência
instalada
– A despeito dos problemas mencionados, o setor deverá se manter, em 2026, como
uma das principais fontes da matriz elétrica brasileira, devendo atingir a
marca de 75 GW de potência instalada acumulada, com contribuições, tanto da
geração distribuída, quanto da centralizada.
Apesar das barreiras, macroeconômicas internas ou geopolíticas
externas, o setor deverá encerrar 2026 com uma capacidade 10,6 GW maior, crescimento
atribuído, em grande parte, à expansão de 15% da Geração Distribuída (GD), que acumula
51,8 GW, seja em telhados ou pequenas usinas. Já a Geração Centralizada (GC), operada
por grandes usinas solares, deve responder por 24,1 GW.
Carga ‘sufocante’
– Em
contraponto, a Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (Absolar) debita
à sufocante carga tributária sobre equipamentos as dificuldades de
financiamento e redução de 7% do setor este ano, ante ao anterior. Ainda assim,
a entidade admite que o montante de investimentos deva atingir R$ 31,8 bilhões,
que poderia ser maior, caso não tivesse havido alta no imposto de importação
sobre módulos fotovoltaicos.
Outro ponto sensível é o fato de a rápida expansão solar e eólica
explicitou a necessidade de melhorias na capacidade de absorção de energia pela
rede, tendo em vista recorrentes cortes de energia (curtailment). A esse tópico
acrescenta-se a ‘relevância estratégica’ de baterias e soluções de armazenamento
(BESS), para que haja um gerenciamento mais eficiente do excesso de água e da
intermitência na GD.
Retomada
consistente
– A receita para uma retomada
consistente da expansão solar está relacionada a um conjunto de ações
estruturais, tecnológicas e financeiras que superem os desafios atuais de infraestrutura,
armazenamento e custo inicial. A aceleração dependeria, ainda, de uma transição
sustentável entre governos, empresas e consumidores.
De acordo com especialistas, alguns fatores-chave são necessários
para a consolidação do setor, a exemplo de:
Soluções de
armazenamento (BESS): O desenvolvimento e a popularização de Sistemas de
Armazenamento de Energia em Baterias (BESS) são cruciais para gerenciar a
intermitência da fonte solar, permitindo que a energia produzida durante o dia
seja usada à noite ou em momentos de pico.
Investimento
em infraestrutura de rede: Para evitar cortes de energia (curtailment) devido a restrições
no sistema de transmissão, é urgente investir na modernização e ampliação da
rede elétrica.
Aumento da eficiência
dos painéis:
A contínua melhoria na eficiência das células fotovoltaicas (atualmente em
torno de 22% em módulos comerciais) é essencial para aumentar a potência gerada
em áreas menores.
Financiamento
acessível:
A popularização de linhas de crédito e financiamentos de energia solar para
pessoas físicas e jurídicas ajuda a reduzir a barreira do alto custo inicial.
Inovação tecnológica
e IA: O
uso de Inteligência Artificial (IA), Internet das Coisas (IoT) e tecnologias de
baterias mais eficientes, como sódio-íon, são tendências importantes para
otimizar o setor.
Manutenção
e limpeza:
Garantir a limpeza adequada dos painéis solares é vital para evitar poeira e
detritos que reduzem a eficiência da captação de luz.
Regulação Clara: A estabilidade
regulatória, com políticas que incentivem a geração distribuída e o uso de
novas tecnologias, é fundamental para o planejamento de longo prazo.
Contexto macroeconômico: Juros elevados e a
volatilidade do dólar afetam o custo de financiamento, influenciando as
decisões de investimento.
Avanço de energia solar perde impulso
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