‘Efeito dominó’ eleva concentração
bancária no país
FGC não dispõe de reservas para
compensar nova liquidação de banco
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Marcello Sigwalt
Princípio fundamental
do sistema capitalista, a livre concorrência está começando a ‘desmoronar’, a
julgar pelo ‘efeito dominó’ precipitado pela ‘inteiramente previsível’ liquidação
do banco Master, seguida por uma série de outras instituições financeiras. É a
senha para a instalação da versão 2026 de uma crise de liquidez e de (des)confiança generalizada no mercado verde-amarelo.
Um dos
reflexos mais recentes do caso Master – que envolve fortes indícios de fraudes,
mediante operações bilionárias e uso de fundos para inflar balanços – é a liquidação
do banco Pleno, um de seus ‘parceiros’.
Implicações – O caso, de forte indícios de crimes contra o mercado financeiro, convenientemente diluídos pela mídia associada, é mais
uma boa notícia para os chamados ‘bancões’, já abarrotados de rendimentos
decorrentes dos juros extorsivos cobrados do cidadão, via Selic (taxa básica de
juros) astronômica de 15% ao ano, patrocinada pelo Banco Central (BC). Esse é o
custo do ‘financiamento’ involuntário do desajuste fiscal e da conta eleitoral(reira), de gastos federais sem medida.
A má notícia,
porém, cabe, mais uma vez, ao contribuinte, pois a tendência é de
crescimento da concentração bancária, redução da concorrência e do acesso a
taxas de crédito e de financiamento mais suportáveis.
Migração – De modo geral, quando instituições de menor porte, como as
citadas, enfrentam crises ou são liquidadas, sua participação na área de crédito,
seus depósitos e clientes é absorvida por grandes bancos, o que reforça sua dominância no mercado.
Em perspectiva,
porém, cresce o temor de que o estoque de recursos do Fundo Garantidor de Créditos
(FGC) seja insuficiente para cobrir novas ‘quebradeiras’ no sistema financeiro.
Somente no ‘episódio’ Master, a conta já passou de R$ 55 bilhões, exaurindo a
capacidade de antecipação de recursos para essa finalidade, por parte das
instituições financeiras hegemônicas.
Inadimplência – No campo macroeconômico,
a falência em escala de bancos se insere em um cenário marcado por
inadimplência recorde, que já atingiu, ao menos, 73,3 milhões de brasileiros
ou, potencialmente, à totalidade das famílias nacionais.
Para tornar mais
explícito o cenário, destaco os impactos mais relevantes do processo de concentração
bancária tupiniquim, por IA.
Aumento da concentração (oligopólio): no Brasil, os
quatro maiores bancos (Itaú, Bradesco, Banco do Brasil e Caixa) já
concentram grande parte das operações de crédito e depósitos. A saída de bancos
de médio porte (como no caso de liquidações extrajudiciais recentes) reforça a
participação dessas poucas instituições.
"Efeito dominó" e instabilidade: a quebra de um
banco, mesmo que de porte médio ou local, pode gerar desconfiança generalizada
em relação a outras instituições menores, levando a uma contração de crédito e
instabilidade, como visto em casos como o do Credit Suisse (globalmente) ou
movimentações em bancos digitais no Brasil.
Retração do crédito: com menos concorrentes de médio porte, a oferta de
crédito para segmentos específicos (como pequenas e médias empresas) pode
diminuir ou se tornar mais cara, resultando em maior concentração de riscos nos
"bancões".
Impacto no spread bancário: em teoria, a maior concentração
bancária limita a competição, o que pode aumentar os spreads bancários
(diferença entre o custo de captação e o juro cobrado do cliente) e elevar
custos financeiros para a população e empresas.

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