Custo industrial ‘incha’ R$ 267 bi com medida ‘eleitoreira’
Redução de jornada de trabalho deve
ampliar taxa de desemprego
Marcello Sigwalt
Em um país carente de oportunidades para trabalhadores 'de verdade', ante uma economia em evidente ‘marcha lenta’, a ‘demagógica’ redução da jornada de trabalho (de 44h para 40h) deverá comprometer, ainda mais, a competitividade da indústria nacional, ao impor custo adicional com pessoal de até R$ 267 bilhões ao ano, nova pressão inflacionária e mais desequilíbrios no ritmo de produção.
Incompetência – Acrescente-se, no curto prazo, a esse rol de incompetência dos poderes – que penaliza somente quem realmente produz, com exceção dos ‘vampiros’ da Esplanada – uma elevação de 11,1% na hora trabalhada e um gasto adicional de R$ 87,8 bilhões em horas extras.
Caso não haja elevação da
produtividade, como é mais provável, a redução de horas da jornada também deve provocar a queda do volume de produção e perdas avaliadas, a princípio, em trilhões de
reais.
Cortes à frente – Além de sua forte ‘motivação eleitoreira’, no médio prazo, a medida, certamente, deve acionar o ‘pragmatismo’ industrial, que buscará atenuar a oneração com cortes severos de postos de trabalho, realimentando os indicadores de desemprego.
Outra repercussão, indesejável para
candidaturas de qualquer natureza, é o impacto negativo no PIB, que deverá ser
sentido, de forma mais intensa, entre as pequenas e médias empresas (PMEs), que
suportam uma margem mais estreita para absorver aumentos na folha de pagamento.
Maior impacto – Pesquisa da CNI (Confederação Nacional da Indústria) aponta que o maior impacto da iniciativa deverá ser sentido pela indústria de construção e pelas micro e pequenas empresas industriais, sobretudo 21 dos 32 setores industriais abrangidos pelo estudo.
Para o presidente da entidade,
Ricardo Alban, “esses dados, combinados com as análises que estamos fazendo
sobre o tema, mostram que o mais provável é que a produção seja reduzida e o
custo unitário do trabalho aumente, trazendo pressão de custos e perda de
competitividade das empresas nacionais. Essa dinâmica provoca queda da produção,
do emprego e da renda e, consequentemente, do PIB brasileiro”.
Por
setores, a confederação estima as seguintes elevações:
·
Indústria da transformação: de 7,7% a 11,6%.
·
Indústria da construção: de 8,8% a 13,2%.
·
Comércio: entre 8,8% e 12,7%.
·
Agropecuária: 7,7% e 13,5%.

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