Crise fiscal joga Brasil na 'lanterna' do PIB mundial

Após efêmero avanço em 2023, economia entrou em ‘queda livre’


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Marcello Sigwalt

Direto para o ‘despenhadeiro’ da última fila no ‘grid’ dos ditos países emergentes, o PIB brasileiro despencou de 3,5%, em 2010, para 2,08% em 2023, sua participação na economia internacional, por conta de fatores negativos internos, como entraves fiscais, baixa produtividade e elevado custo do Estado (máquina pública). A constatação inevitável, diante dessa ‘queda livre’, é o fato de a nação verde-amarela se situar na ‘lanterninha’ mundial da economias em desenvolvimento, conforme aponta estudo recente do Banco Mundial.

Mas pior mesmo que ‘ficar para trás’, ante seus pares sul-americanos e do BRICS, é a perspectiva de estagnação ou recuo da renda per capita, agravando, ainda mais, as condições de eleitores, seja qual for sua coloração ideológica, enquanto não chega o pleito presidencial, no final do ano.

'Sem bônus' – Endossando o cenário adverso, o ex-secretário de Comércio Exterior, Lucas Ferraz prevê que a renda do brasileiro deverá estagnar, quando não, recuar, pois o país não terá condições de produzir mais, com a mesma força de trabalho. “O bônus demográfico está acabando. Se o Brasil não conseguir aumentar a produtividade no trabalho, isso pode significar queda da renda per capita”, sentencia.

Nesse contexto, cabe incluir a aceleração do processo de envelhecimento da população brasileira. “Há 20 anos, a força de trabalho no Brasil crescia 2% ao ano, hoje estamos em menos de 0,5%. Daqui a pouco, vai estar decrescente”, estima o economista sênior para o Brasil do Banco Mundial, Cornelius Fleischhaker.

'Estado glutão' – Ecoando a expressão de analistas, quando à ‘inadequação do modelo econômico', adotado por Pindorama, nos últimos anos, o diretor de Macroeconomia do ASA e ex-diretor do Banco Central (BC), Fabio Kanczuk, identifica a estrutura 'mastodôntica' do Estado brasileiro como um dos maiores entraves ao crescimento. “O Estado é imenso e causa uma distorção tributária enorme. Se uma empresa quer crescer, paga muito imposto e fica difícil absorver melhor tecnologia”, critica.

A esse rol de barreiras que condena à mediocridade nosso futuro comum, se incluem uma agenda fiscal que se baseia na ampliação de benefícios sociais, concessões que elevam o custo do sistema previdenciário. Merece, no entanto, um capítulo à parte os juros sobre a dívida pública, que ‘incineram’, anualmente, R$ 1 trilhão de nosso impostos, Além de elevar os gastos federais e pressionar o montante (devido por nós) da mesma dívida, a 'orgia do gasto público' afasta investimentos e compromete a competitividade.

Economia estagnada – Somente a título de comparação, nos últimos 25 anos, enquanto a economia tupiniquim ‘patinava’ pela glutonaria estatal, o PIB chinês crescia impressionantes 518% e Vietnã, Índia e Bangladesh avançavam a taxas superiores a 200%.

Mazelas de ‘vampiros do dinheiro público’ de todos os matizes e poderes da República à parte, especialistas na matéria entendem que a abertura econômica ao exterior é uma questão central que jamais foi cogitada, nem em discursos de campanha, antes ou depois deles. Protecionista pela própria natureza, a economia local se caracteriza pela cobrança de tarifas elevadas, em comparação à média mundial, o que determina sua pífia capacidade de concorrer externamente ou adotar novas tecnologias mais avançadas do exterior.  

Abertura é preciso – Na avaliação do mercado, a abertura da economia nacional permitiria ganhos de escala, além de colocar à prova sua 'musculatura concorrencial' . “O Brasil cobra tarifas muito altas. Isso facilita ficar fechado, sem absorver melhores práticas e tecnologias, e acaba limitando os ganhos de produtividade”, arremata Kanczuk.


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