Brasil continua a ser um dos países mais corruptos do planeta

É o que mostra o Índice de Percepção da Corrupção, da Transparência Internacional

 

                                                                            radardigitalbrasilia (divulgação)

Marcello Sigwalt

Como se pedisse ‘bis’ para uma sonora vaia, o Brasil voltou a exibir sua segunda pior nota da série histórica do Índice de Percepção da Corrupção (IPC) de 2025, ao se manter na 107ª colocação (35 pontos, numa escala de 0 a 100), entre 182 países e territórios, avaliados pela Transparência Internacional, organização em fins lucrativos, sediada em Berlim (Alemanha). Um ano antes, o país não havia ido além dos 34 pontos. A variação insignificante, portanto, denota estagnação, pois, quanto menor a nota, maior a percepção de corrupção no setor público.   

Mais relevante do que a pontuação, porém, é observar a decadência brasileira no indicador internacional. Depois de se manter no patamar de 42 pontos, em 2012, e 43 pontos, dois anos depois, recuou para os 40 pontos em 2016, mergulhando para 35 pontos em 2018 e 2019 e 36 pontos, em 2023. Ao descer para os 35 pontos, Pindorama fica abaixo das Américas e da média mundial, ambos com 42 pontos.

Lanterna africana – No que toca aos extremos, o estudo mostrou que a melhor avaliação coube à Dinamarca (89 pontos), seguida Finlândia (88) e Cingapura (84). Na penúltima colocação ficou a Venezuela (10 pontos), enquanto a ‘lanterna’ foi dividida entre a Somália e o Sudão do Sul (9 pontos).

Para definir a colocação tupiniquim, a instituição – que desconsidera ‘casos concretos, nem investigações ou denúncias – consultou uma variedade de até 13 fontes independentes, desde especialistas, pesquisadores, executivos, além de instituições que monitoram questões ligadas à governança e integridade pública.

Argentina ‘vizinha’ – Pelo resultado colhido, a pátria verde-amarela faz companhia ao distante Sri Lanka, igualmente com 35 pontos, assim como Argentina, Belize e Ucrânia (36), e Indonésia, Nepal e Serra Leoa (34).

Para o diretor-executivo da Transparência Internacional – Brasil, Bruno Brandão, o Brasil apresentou, no ano passado, um ‘cenário contraditório’, ao fazer menção à ‘responsabilização’, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), do ex-presidente da República, como Jair Bolsonaro e aliados, acusados de conspiração contra a democracia, sem contar a escalada de casos de corrupção nesse período, mediante suspeitas de infiltração do crime organizado nos sistemas financeiro e jurídico.   

Mundo em choque – “Embora o Brasil tenha chamado a atenção internacional em 2025, pela resposta firme e histórica do Supremo Tribunal Federal na responsabilização do ex-presidente Bolsonaro e outros conspiradores que atentaram contra a democracia, também chocou o mundo com casos de macrocorrupção em escala inédita”, acrescentou Brandão.

O estudo da Transparência Internacional também considerou ocorrências que atestam o agravamento do processo de corrupção no país, a exemplo de:

ü  Operação que apurou suspeitas de comércio de sentenças no STJ

ü  Operação Overclean, da PF, que investigou desvios de emendas, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro envolvendo contratos públicos.

ü  Operação Sem Desconto, da PF, que revelou um esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS.

ü  Operação Carbono Oculto, também da PF, que apontou sonegação, evasão de divisas e lavagem de dinheiro com atuação em fintechs, fundos e setor de combustíveis.

ü  Operação Compliance Zero, que embasou as apurações sobre o caso Master, descrito pela entidade como a maior fraude bancária já registrada no país.

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