Aperto monetário federal coloca MPEs no caminho da falência

Selic a 15% ao ano e carga tributária de R$ 4 tri são os principais ‘vilões’

 

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Marcello Sigwalt

Esteio do crescimento econômico pátrio, as pequenas e médias empresas nacionais (MPEs) padecem do mesmo vírus financeiro, os juros absurdamente altos (Selic a 15% ao ano, ainda), visto que metade delas se encontra em franco processo de endividamento, fase crítica que precede a decretação de falência.

Nessa ciranda descendente, está presente o segundo fator pernicioso dessa ‘matemática perversa’ de cunho eleitoreiro, a elevada carga tributária, atualmente em 34% do PIB ou aproximadamente R$ 4 trilhões, montanha de dinheiro paga pelo cidadão brasileiro para sustentar uma inoperante máquina pública e seus nababos milionários.

Pior, a perspectiva é de que tal patamar, já alarmante, deverá saltar para 59% no próximo ano, conforme levantamento recente, divulgado pela W1 Business, após consultar 134 empresas de diversos setores, cuja média de dívidas soma hoje R$ 2,54 milhões, ante um faturamento de anual de R$ 8,62 milhões. Por setores, os que apresentam maior comprometimento de receita são: transporte, comércio varejista e serviços.

Estudo do Sebrae e da Serasa Experian, por sua vez, aponta que, ao menos, 6,5 milhões de pequenos negócios se encontravam inadimplentes em 2025, maior nível, desde o início da série histórica.

Para agravar, ainda mais, a situação do segmento, este terá de enfrentar, a partir 2027, com a entrada em vigor da nova versão da Reforma Tributária, não bastasse o fato de que os últimos três anos foram marcados por sucessivos recordes de pedidos de Recuperação Judicial, em que as empresas têm recorrido a um maior endividamento para garantirem o capital de giro, cheque especial empresarial, antecipação de recebíveis e renegociações bancárias, além do pagamento das despesas operacionais.

Como solução alternativa para tentar reverter o viés negativo, a advogada (especialista em Direito Empresarial e em Contabilidade), empresária e fundadora do Grupo Saitta, Mayra Saitta, receita ao segmento ‘disciplina financeira’ e ‘planejamento’.

“Com juros nesse patamar, o crédito deixa de ser solução emergencial e passa a ser um risco. O empresário precisa olhar para o fluxo de caixa diariamente e rever o modelo de capital de giro para não comprometer a operação”, recomenta Mayra.

Nesse ponto, cabe destaque a disparidade entre os números do ‘problema’, se comparados os dados do Banco Central (BC)  que dá conta de uma inadimplência média ‘módica’ de 4,5% entre as empresas e aqueles divulgados pela Confederação Nacional do Comércio (CNC), para quem 71% das empresas admitiram dificuldade de manter seu capital de giro mensal. 

Ao abordar a ‘forma tupiniquim’ de 'condução dos negócios', a especialista em Direito Empresarial ressalta que a questão não se limita, apenas, à obtenção do crédito, mas está associada à administração de seus recursos. “Planejamento tributário e financeiro são aliados diretos da sustentabilidade do negócio. Muitos empresários ainda não separam contas pessoais das empresariais, o que distorce o resultado real da empresa”, observou.

Ao lembrar que renegociar é, sempre, menos oneroso do que assumir novas dívidas, Mayra elenca algumas orientações aos endividados de todos os quadrantes e portes: 

v  Converse diretamente com o gerente da instituição financeira.

v  Avalie migração para linhas de crédito com taxas menores.

v  Revise garantias reais para obter melhores condições.

v  Solicite alongamento de prazos para reduzir parcelas.

v  Unifique dívidas de curto prazo em uma linha de longo prazo.

Com vistas a ‘mitigar’ os efeitos deletérios da Selic elevada, a especialista destaca:

®     Controle diário do fluxo de caixa.

®     Revisão de contratos e despesas recorrentes.

®     Negociação com fornecedores.

®     Análise de estoque para redução de perdas.

®     Separação entre finanças pessoais e empresariais.

®     Implementação de orçamento anual e metas financeiras.

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