Selic eleitoreira ‘asfixia’ a indústria

Segunda taxa real de juros do planeta trava ‘motor da economia’



                                                                                   ctb.org

Marcello Sigwalt

A recorrente verborragia palaciana em torno da badalada ‘reindustrialização’, na verdade, rima melhor com ‘reeleição’ ou ‘recessão’, pois os juros básicos (Selic) do Banco Central (BC) – ‘fórceps’ monolítico para conter uma inflação alimentada pela gastança federal – só são eficientes para ‘asfixiar’ a indústria, principal motor da economia.

É o que mostram dados da ‘Sondagem Especial nº 98 – Condições de Acesso ao Crédito em 2025’, da CNI (Confederação Nacional da Indústria), referentes a janeiro corrente, em que 80% dos industriais admitem que os juros são o maior obstáculo e responsável por diversos prejuízos enfrentados pela atividade, que passamos a elencar, a seguir:

·         Travamento da produção e investimentos: ante recursos escassos e caros, as indústrias reduzem os investimentos em novos equipamentos, tecnologia e expansão da capacidade produtiva.

·         Aumento da inadimplência e risco de falência: a falta de capital de giro torna as empresas, especialmente as pequenas e médias, vulneráveis, aumentando o risco de falência ou recuperação judicial.

·         Redução do crescimento econômico: o travamento do crédito industrial compromete o crescimento do PIB, pois a indústria deixa de investir, diminuindo a competitividade.

·        Impacto no emprego e salários: a restrição de crédito dificulta a geração de empregos e pressiona a redução de salários no setor.

·         Queda no volume de crédito: em 2025/2026, foi observada uma queda acentuada no volume de crédito disponível, com cerca de um terço das indústrias falhando em contratar ou renovar crédito de longo prazo.

Na pesquisa da CNI, depois dos juros, o segmento aponta, em segundo lugar, as garantias reais, como bens móveis ou imóveis (32%) e a falta de linhas de crédito adequadas à necessidade das empresas (17%). Foram consultadas 1.783 empresas industriais (439 grandes, 637 médias e 713 pequenas), entre 1º e 12 de agosto do ano passado.

Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI. Maria Virgínia Colusso, ”a atual política monetária é bastante restritiva e encarece o crédito, uma vez que a taxa Selic está em 15% ao ano e os juros reais em torno de 10%. O crédito mais caro desincentiva o investimento em expansão da capacidade produtiva e em inovação. Com isso, a indústria perde competitividade”.

Desmentindo de forma taxativa a narrativa falsa da gestão petista, a combinação perversa do alto custo do dinheiro com a dificuldade de acesso a financiamento, ao invés de incentivar a tal reindustrialização, compromete a capacidade de investimento, a produtividade e a competividade das empresas no longo prazo. Outro aspecto, não menos pernicioso, é a predominância de um comportamento ‘hesitante’ do empresário para investir, o que agrava, ainda mais, a insegurança jurídica e política no país.

Até mesmo o ‘festejado’ programa de estímulo à modernização da indústria, a pretexto de oferecer ao mercado linhas de crédito mais acessíveis, via BNDES, cai por terra, porque, também aqui, o aperto monetário acaba afastando, até mesmo, o pequeno e médio industrial mais incauto.

Outra constatação que desmascara o suposto compromisso petista com quem trabalha é o ‘encolhimento’ do PIB (Produto Interno Bruto) – soma de todas as riquezas produzidas pelo país, no período de um ano – que deverá crescer pífio 1,6% em 2026, na avaliação realista do Fundo Monetário Internacional (FMI), organismo multilateral de crédito do qual Pindorama foi devedora por décadas e é atualmente credora, por enquanto.

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