'Onda
protecionista' deve atingir exportações nacionais
Além do
tarifaço de Trump, México e China oneram vendas externas do país
Marcello Sigwalt
A reboque da nova onda protecionista
que varre o planeta, o tarifaço adotado, no ano passado, pelo governo Trump,
foi apenas o ‘toque da Alvorada’ que disparou medidas semelhantes em outros
quadrantes do globo.
Guerra tarifária – Exemplos enfáticos dessa nova
tendência podem ser observados em países de configurações distintas, como
México e China, cujas medidas devem afetar negativamente a economia brasileira,
além de acirrar, ainda mais, a guerra tarifária mundial.
Pretexto – Até há pouco tempo,
críticos de primeira hora das restrições comerciais ianques, o país
centro-americano e o mandarim agora seguem a mesma cartilha estadunidense, sob
o pretexto de proteger suas respectivas indústrias.
Previsões – Enquanto o
pacote mexicano contempla uma gama de 1.463 itens – sob a alegação de preservar
325 mil empregos, e 19 setores estratégicos – impactando 15% das exportações
tupiniquins, mediante a instituição de alíquotas que vão de 5% a 55%, a China reforçou
as restrições às importações da carne bovina brasileira, o que deve resultar
numa perda de até US$ 3 bilhões, este ano, o que correspondente a
aproximadamente R$ 16,5 bilhões. As previsões foram feitas pela Abiec
(Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes) e pela CNA
(Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil).
Veio para ficar – A expectativa
predominante, entre analistas de mercado, é no sentido de que o viés
protecionista veio para ficar, impondo consequências duradouras sobre o
comércio internacional, por meio da cristalização de um modelo de nacionalismo
econômico.
Evidente
contradição – Ao observar uma ‘evidente contradição jurídica e política’ no
sistema multilateral de comércio, a especialista em comércio internacional do
escritório Arman Advocacia, Daniela Poli Vlavianos explica que “a questão
central é que a retórica crítica ao protecionismo dos Estados Unidos não se
sustenta quando os próprios críticos passam a adotar políticas de mesma
natureza, apenas sob outra justificativa geopolítica ou conjuntural”.
Sistema
fragilizado – Como reflexo, Daniela acrescenta que “do ponto de vista
jurídico-institucional, essa prática fragiliza o sistema multilateral de
comércio, incentiva retaliações cruzadas e enfraquece a segurança jurídica nas
relações internacionais, pois transmite a mensagem de que as regras são
relativizadas conforme a conveniência do momento”. Como modalidade destinada a
sobretaxar os países exportadores, México e China estabeleceram cotas de
importação por país, pelo período de três anos, ou seja, até 31 de dezembro de
2028. Além do Brasil, a medida impacta, também, os EUA, Argentina, Uruguai e
Austrália. Atualmente, Somente a China responde hoje por 52% das importações
brasileiras de carne.
Maré de protecionismos forma
consenso
O consenso geral é de que a maré protecionista parece desfazer
décadas seguidas de globalização, com as seguintes características e fatores,
segundo a IA:
· Aumento de barreiras tarifárias e não-tarifárias: Houve um crescimento
significativo no número de intervenções políticas prejudiciais ao comércio
global desde a crise financeira de 2008. Dados indicam que mais de 3.000 novas
medidas protecionistas foram introduzidas anualmente em 2022, 2023 e 2024, em
comparação com cerca de 600 em 2017. Isso inclui tarifas de importação, cotas,
subsídios e exigências de conteúdo local.
·
Nacionalismo Econômico: Muitos
países estão priorizando indústrias domésticas, a segurança econômica e as
metas climáticas, o que leva à implementação de políticas que favorecem a
produção interna em detrimento da concorrência externa.
· Tensões Geopolíticas: Conflitos
comerciais, como a disputa entre EUA e China, geram incertezas e levam a
retaliações mútuas, fragmentando as cadeias de suprimentos globais.
·
Impasse na OMC: A
Organização Mundial do Comércio (OMC) enfrenta dificuldades para arbitrar disputas
e estabelecer regras claras, o que contribui para um ambiente comercial global
mais volátil e imprevisível.

Protecionismo põe em risco sucesso externo do Agro
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