Juros altos cortam dinâmica de criação de empregos

Número de postos de trabalho é o menor em cinco anos


                                                                                                spbancarios 

Marcello Sigwalt

Menor número de postos de trabalho criados nos últimos cinco anos. Essa é a principal conclusão de estudo recente, divulgado pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), referente a 2025, que registrou um saldo de 1,2 milhão de empregos com carteira assinada (CLT) – 26,5 milhões de contratações, para 25,3 milhões demissões – pior resultado, desde 2020, ano da pandemia, quando as economias, não só brasileira, mas do mundo inteiro, entraram em colapso.  Ante 2024, o recuo chegou a 24%.

Mais significativo do que o número em si, é acompanhar a trajetória declinante deste importante indicador econômico, que desmistifica a fachada ‘triunfalista’ do pleno emprego, que esconde o sufocamento da capacidade de investimento das empresas, por meio do aperto monetário em curso, a título de conter a demanda patrocinada pela gastança federal, que descamba no aprofundamento do desajuste fiscal e de uma dívida pública colossal, já próxima de 80% do PIB...e crescendo.

Outro dado que retrata o momento adverso do emprego tupiniquim diz respeito ao desempenho de dois setores que respondem por grande parte da criação de postos de trabalho, como é o caso da agropecuária e construção civil, em nível inferior, inclusive, ao exibido pela indústria e o comércio. Nesse quesito, a melhor performance coube aos serviços.

Deste modo, a ação ‘corrosiva’ da Selic (taxa básica de juros) – 15% ao ano ou uma taxa real de 8% ao ano, a segunda maior do planeta – foi alvo de críticas, até mesmo, do ministro do Trabalho Luiz Marinho. “Procurei dialogar com o Banco Central desde o final do primeiro semestre do ano, mostrando que o que a gente conseguia interpretar do que eles falam nas atas, entrevistas e a pressão do mercado que às vezes exerce sobre o Banco Central, que poderia levar a um processo de desaceleração do ritmo".

Informalidade, o último recurso – Enquanto o impulso de criação de novas vagas formais perde tração, a taxa de informalidade do país continua elevada e em expansão, pois esta corresponde hoje a 38,1% da população ocupada no primeiro trimestre de 2025 (1T25), conforme dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) do IBGE, um contingente de 40 milhões de almas desprovidas de direitos trabalhistas (sem carteira assinada, como autônomos sem CNPJ ou trabalhadores familiares auxiliares), isto é, com um futuro muito incerto.  

Se considerada a regionalidade, as taxas de informalidade apresentam expressiva disparidade, pois elas são mais altas no Norte e Nordeste – Maranhão (58,4%), Pará (57,5%) e Piauí (54,6%) – em contraste com o Centro-Sul – Santa Catarina (25,3%) e São Paulo (29,3%).  

De acordo com especialistas, a tendência crescente da informalidade na economia verde-amarela decorre, em parte, da expansão de MEIs (Microempreendedores Individuais) e de trabalhadores por conta própria.

Também são fatores que comprometem a dinâmica do mercado de trabalho local (IA):

 Altas taxas de juros (Selic): Juros elevados tornam o crédito mais caro e inibem o investimento das empresas, o que desacelera a criação de novas vagas CLT.

Aumento da “pejotização” (PJ): Empresas têm substituído a contratação CLT pela contratação de prestadores de serviços (PJ – Pessoa Jurídica) ou MEI (Microempreendedor Individual) para reduzir custos trabalhistas e aumentar a flexibilidade.

Aumento da informalidade e autônomos: Embora o emprego formal tenha crescido, setores da economia ainda dependem fortemente de trabalhadores informais, sem registro em carteira, principalmente no comércio e serviços.

Choque de expectativas e novas gerações: Existe uma busca por flexibilidade, autonomia e renda rápida, o que faz com que muitos trabalhadores prefiram modelos de trabalho autônomo em detrimento da rigidez da CLT.

Automatização de processos: A tecnologia tem substituído funções tradicionais, diminuindo a necessidade de mão de obra formal em determinados setores. 

Observe a trajetória da criação de empregos formais:

2025: 1.279.498

2024: 1.677.575

2023: 1.455.279

2022: 2.014.894

2021: 2.782.295

2020: - 189.393

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog