Indústria
paga o preço (alto) pelo desajuste fiscal
Setor
apresenta maior tombo de vendas em dezembro
Setcesp
Marcello SigwaltNova retração – A trajetória
descendente foi atestada pela pesquisa Índice de Gerentes de Compras, compilado
pela consultoria S&P Global, que mede o setor secundário, amargou nova
retração, desta vez, de 48,8 para 47,6, na passagem de novembro para dezembro,
o que consolida um patamar abaixo de 50, marca que distingue crescimento de
contração.
Recuo geral – Para a terceira
maior queda seguida, observada no mês passado, em três meses, o fator
determinante foi a forte redução de demanda, conforme atesta o recuo de todos
os cinco subcomponentes. De acordo com a diretora-associada de economia da S&P
Global Market Intelligence, Pollyanna De Lima, acrescentando que “os dados
indicaram muito pouco que aponte
para qualquer recuperação imediata no
curto prazo’, completou.
No exterior, idem – Ainda que
moderado, ante novembro, a demanda internacional por produtos brasileiros
manteve o movimento declinante anterior. O resultado só não foi pior devido à
queda do custo dos insumos no final de 2025, em que a taxa de desconto
apresentou avanço mais expressivo no prazo de 27 meses. Isso implicou tarifas
menores para itens como energia, alimentos, frete, metais, plásticos e resina.
Reversão no
emprego – Em contraponto, no mercado de trabalho, a elevação marginal
do emprego acabou revertida em dezembro, devido ao corte, pela quarta vez em
sete meses, do quadro de funcionários pelas empresas, a pretexto de controle de
custos de da capacidade ociosa.
Expectativa positiva – Em que pese
tais dados adversos, a expectativa de produtores de bens é de expansão da
produção no novo ano, em que deverá haver ‘melhores condições de demanda,
redução da taxa de juros, investimentos em tecnologia e maior foco em ganhos de
produtividade’.
Conspiração
monetária – Conspiram para tal ambiente regressivo, por sua vez, o ‘combo
da perversidade’ monetária, composto por juros altos, mercado de trabalho enfraquecido
(pelo item anterior) e pelo impacto defasado da política monetária. O resultado
esperado para este ano é uma desaceleração da atividade ante 2025, com avanço entre
0,6% e 1,1%. Como medidas para reverter tal quadro, o mercado sugere o mesmo
receituário de anos anteriores: eficiência, controle de custos, adaptação à
reforma tributária e uso estratégico de tecnologias como IA.
Desempenhos
distintos – De qualquer sorte, o desempenho será distinto, dependendo do
setor. Enquanto na indústria de transformação, o crescimento projetado não deverá
passar de 0,5%, na extrativa, a performance poderá ser mais expressiva, sob a
alavancagem do petróleo e da mineração.
‘Favas contadas’ – Como já
anunciado, exaustivamente, o Banco Central (BC) continuará a manter elevada a
Selic (taxa básica de juros) – 15% ao ano, equivalente a uma taxa real de 9%, a
segunda maior do planeta – travando investimentos e consumo ao longo do ano
corrente, a despeito de sinais evidentes de desaceleração da inflação, já há
algum tempo.
Uso estratégico – No campo da
reforma tributária e tecnologia, as empresas terão de recorrer ao uso
estratégico da IA (Inteligência Artificial) e ERPs, como meios de adaptação ao
período de transição tributária e para garantirem saúde financeira.
Monitoramento de
dados – Em matéria de sustentabilidade, entra em ação a agenda ESG, com
vistas a monitoramento de dados que servirá para mitigar pressões de
investidores e consumidores internacionais. Ao mesmo tempo, a manutenção
preditiva auxiliará na maior eficiência operacional, tendo em vista evitar
paradas de produção. Por fim, o caráter de imprevisibilidade do ano recém-iniciado
é reforçado por incertezas alimentadas pelo cenário eleitoral, o que não deve
impedir a estabilidade do câmbio.

Atividade industrial 'dilacerada' pela gastança federal
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