Gargalos diversos ‘cristalizam’

 ineficiência da infraestrutura nacional

 

Setor se ressente de investimento insuficiente,

insegurança regulatória e jurídica e juros altos


                                                 Antônio Bacelar - Agência de notícias da indústria

 

Marcello Sigwalt

Investimento insuficiente, insegurança regulatória e jurídica, juros altos, planejamento deficiente e dependência excessiva do modal rodoviário, resultando em custos logísticos elevados, precariedade em transportes (ferrovias, portos, hidrovias), e desafios em áreas como saneamento básico, energia e conectividade. Estes são alguns dos fatores determinantes para o flagrante esgotamento da infraestrutura no país, que ‘freiam’ seu desenvolvimento, acirram as desigualdades socioeconômicas e o deixam para trás, no quesito estratégico de competitividade internacional.

Engrossam esse ‘rol’ de problemas, prejuízos bilionários que paralisam as exportações nacionais; perdas de centenas de milhares de sacas de café; insuficiência de investimentos – que não passam de 2% do PIB, metade do que seria necessário, 4% do PIB – e defasagens na área de manutenção.

Sinais

·  Colapso da infraestrutura portuária, com destaque para o Porto de Santos, onde a ineficiência na movimentação dos contêineres impede o escoamento mais célere da safra. O resultado do descalabro é uma média de 65% de atrasos ou a necessidade constante de mudanças de escala, desde meados do ano passado.

· No Agro, a situação não é muito diferente: atrasos e custos extras de armazenagem impõem perdas de milhões de reais ao setor cafeeiro.

· Mais da metade dos empresários industriais classificam a infraestrutura rodoviária como regular, ruim ou péssima, o que dificulta o fluxo de mercadorias.  

· A infraestrutura mais precária é registrada pela região Norte, conforme relatado por 74% de seus industriais.

·  Saneamento Básico: parcela significativa da população ainda não tem acesso à água potável e coleta de esgoto.  

·  Energia: Consumidores do mercado cativo de energia chegam a pagar, em média, 102% a mais pela eletricidade do que os do mercado livre, como reflexo de ineficiências e custos elevados no setor, com impacto direto na indústria.

Para reverter esse cenário adverso, especialistas apontam medidas, como: maior celeridade na execução de leilões e modernização dos terminais e diversificação dos modais de transporte (ferrovias e hidrovias), de modo a evitar o iminente colapso da logística nacional.

Diagnóstico

Dependência Rodoviária: alto custo e ineficiência, com rodovias precárias.

Ferrovias e hidrovias subutilizadas: Lenta expansão de projetos (Ferrovia Norte-Sul, etc.) e falta de dragagem/sinalização em rios.

Portos ineficientes: Congestionamento e gargalos.

Falta de planejamento: Descompasso entre expansão do agronegócio e investimentos em logística.

Investimento insuficiente: Percentual baixo do PIB investido em infraestrutura.

Insegurança regulatória/jurídica: Mudanças frequentes nas leis afastam investidores de longo prazo.

Juros altos: Desestimulam investimentos produtivos.

Burocracia e licenciamento: Demoras e entraves no licenciamento ambiental (IBAMA).

Saneamento básico: Déficit histórico, falta de água tratada e esgoto em muitas áreas.

Acessibilidade: Vias urbanas sem rampas para cadeirantes (68,8% em 2022).

Energia e conectividade: Quedas de energia e falta de cobertura de telefonia/internet.

Planejamento urbano inadequado: Crescimento desordenado das cidades.

Obras paralisadas: Desperdício de recursos públicos.

Heterogeneidade: Diferenças gritantes entre regiões (Centro-Sul mais desenvolvida que Norte/Nordeste). 

Impactos

Custos Elevados (Custo Brasil): Aumenta o custo de produção e vida.

Perda de competitividade: Empresas brasileiras ficam menos competitivas.

Desigualdades: Agravamento das disparidades regionais e sociais.

Qualidade de vida: Impacto na saúde, transporte e acesso a serviços. 

Aumento do papel da iniciativa privada (PPPs, concessões).

Melhora do ambiente de negócios e segurança jurídica.

Adoção de modelos de planejamento mais eficientes (ex: China).

Modernização do IBAMA e agilização do licenciamento. 

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