Gargalos diversos ‘cristalizam’
ineficiência da infraestrutura nacional
Setor se ressente
de investimento insuficiente,
insegurança regulatória
e jurídica e juros altos
Marcello Sigwalt
Investimento insuficiente, insegurança regulatória e jurídica,
juros altos, planejamento deficiente e dependência excessiva do modal
rodoviário, resultando em custos logísticos elevados, precariedade em
transportes (ferrovias, portos, hidrovias), e desafios em áreas
como saneamento básico, energia e conectividade. Estes são alguns dos fatores
determinantes para o flagrante esgotamento da infraestrutura no país, que ‘freiam’
seu desenvolvimento, acirram as desigualdades socioeconômicas e o deixam para
trás, no quesito estratégico de competitividade internacional.
Engrossam esse ‘rol’ de problemas, prejuízos bilionários que
paralisam as exportações nacionais; perdas de centenas de milhares de sacas de
café; insuficiência de investimentos – que não passam de 2% do PIB, metade do
que seria necessário, 4% do PIB – e defasagens na área de manutenção.
Sinais
· Colapso da infraestrutura portuária, com destaque para o Porto de
Santos, onde a ineficiência na movimentação dos contêineres impede o escoamento
mais célere da safra. O resultado do descalabro é uma média de 65% de atrasos
ou a necessidade constante de mudanças de escala, desde meados do ano passado.
· No Agro, a situação não é muito diferente: atrasos e custos
extras de armazenagem impõem perdas de milhões de reais ao setor cafeeiro.
· Mais da metade dos empresários industriais classificam a
infraestrutura rodoviária como regular, ruim ou péssima, o que dificulta o
fluxo de mercadorias.
· A infraestrutura mais precária é registrada pela região Norte, conforme
relatado por 74% de seus industriais.
· Saneamento Básico: parcela significativa da população ainda não
tem acesso à água potável e coleta de esgoto.
· Energia: Consumidores do mercado cativo de energia chegam a
pagar, em média, 102% a mais pela eletricidade do que os do mercado livre, como
reflexo de ineficiências e custos elevados no setor, com impacto direto na
indústria.
Para reverter esse cenário adverso, especialistas apontam medidas,
como: maior celeridade na execução de leilões e modernização dos terminais e
diversificação dos modais de transporte (ferrovias e hidrovias), de modo a
evitar o iminente colapso da logística nacional.
Diagnóstico
Dependência Rodoviária: alto custo e ineficiência, com rodovias precárias.
Ferrovias e hidrovias subutilizadas: Lenta
expansão de projetos (Ferrovia Norte-Sul, etc.) e falta de dragagem/sinalização
em rios.
Portos ineficientes: Congestionamento e gargalos.
Falta de planejamento: Descompasso entre expansão do agronegócio e investimentos
em logística.
Investimento insuficiente: Percentual baixo do PIB
investido em infraestrutura.
Insegurança regulatória/jurídica: Mudanças frequentes
nas leis afastam investidores de longo prazo.
Juros altos: Desestimulam investimentos produtivos.
Burocracia e licenciamento: Demoras e entraves no
licenciamento ambiental (IBAMA).
Saneamento básico: Déficit histórico, falta de água tratada e esgoto em
muitas áreas.
Acessibilidade: Vias urbanas sem rampas para cadeirantes (68,8% em 2022).
Energia e conectividade: Quedas de energia e falta de cobertura de
telefonia/internet.
Planejamento urbano inadequado: Crescimento desordenado das
cidades.
Obras paralisadas: Desperdício de recursos públicos.
Heterogeneidade: Diferenças gritantes entre regiões (Centro-Sul mais
desenvolvida que Norte/Nordeste).
Impactos
Custos Elevados (Custo Brasil): Aumenta o custo de produção
e vida.
Perda de competitividade: Empresas brasileiras ficam menos
competitivas.
Desigualdades: Agravamento das disparidades regionais e
sociais.
Qualidade de vida: Impacto na saúde, transporte e acesso a
serviços.
Aumento do papel da iniciativa privada (PPPs, concessões).
Melhora do ambiente de negócios e segurança jurídica.
Adoção de modelos de planejamento mais eficientes (ex: China).
Modernização do IBAMA e agilização do licenciamento.

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