Forte dependência de combustíveis fósseis

torna incerta sustentabilidade tupiniquim

Derivados de petróleo respondem por 34% da oferta interna de energia do país

                                                                  

Freepik - Nasa

Marcello Sigwalt

A despeito de ostentar uma matriz de geração elétrica ‘relativamente’ limpa e renovável – 55% da oferta interna de energia vêm das hidrelétricas – o Brasil mantém forte dependência de combustíveis fósseis, uma vez que os derivados do petróleo respondem outros 34% da oferta interna de energia, em que prevalecem os transportes rodoviários pesado e aéreo, ambos poluentes.

Cobiça – Tal questão se agrava, ainda mais, pela determinação férrea do presidente dos EUA, Donald Trump, de assegurar a dominância do ‘ouro negro’ na matriz energética mundial, o que se constata pela recente invasão da Venezuela – dona das maiores reservas petrolíferas do planeta – a título de capturar o ditador daquele país, Nicolas Maduro – e a ameaça declarada de se apoderar da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca.

Perspectiva incerta – A sinalização ianque, em favor do petróleo, torna incerta a perspectiva de outras matrizes limpas, de não menor importância, como as energias eólica, solar e os biocombustíveis – criação 100% verde-amarela (líder mundial de produção de etanol e biodiesel), mas longe de ser priorizada pelos governo de plantão, ao longo das últimas décadas – com participação de 16% da matriz total.

Desafios – Para especialistas, entre os maiores desafios da trilha tupiniquim pela sustentabilidade se destaca o desmatamento recorrente, sobretudo na Amazônia, região que responde pela maior parte das emissões de GEE (Gases de Efeito Estufa), um dos maiores fatores indutores de tragédias climáticas, sem contar a destruição do meio ambiente decorrente do mau uso da terra.

Dependência – Em escala planetária, tomando-se uma perspectiva científica e ambiental, a persistente dependência dos fósseis coloca em risco os objetivos do Acordo de Paris, no sentido de limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C ou 2°C acima dos níveis pré-industriais. Caso tais limites sejam ultrapassados, isso pode levar a um ponto de não retorno ecológicos, além de elevar a incerteza quanto à sustentabilidade no longo prazo.

Processo contínuo – A boa notícia é que a estratégia de sustentabilidade supera o modelo binário (sucesso ou fracasso), mas consiste em um processo contínuo de transição, que permitiu o desenvolvimento e adoção de tecnologias de energia renovável (solar, eólica), eficiência energética e políticas climáticas em muitos países. A grande incógnita é aferir se a velocidade da transição climática será suficiente para ‘mitigar’ os piores impactos, como furacões, enchentes, incêndios florestais, tempestades e terremotos.  

Medidas danosas – No plano internacional, a guinada ambientalmente destrutiva do republicano estadunidense contém um elenco de medidas danosas, disparadas a partir de janeiro de 2025, a saber:  

ü  Retirada de acordos internacionais: os EUA iniciaram o processo para se retirar novamente do Acordo de Paris e, mais significativamente, da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que é a base dos esforços climáticos globais.

ü  Negação da ciência climática: Trump e funcionários de sua administração têm repetidamente rejeitado o consenso científico sobre a mudança climática causada pelo homem, chegando a chamar a questão de "golpe" ou "a maior mentira" em discursos na ONU. A administração também retirou os EUA do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o principal órgão científico global sobre o clima.

ü  Desregulamentação ambiental: o governo tem revertido dezenas de regulamentações ambientais importantes, incluindo a flexibilização dos padrões de emissões de veículos e a eliminação de limites para as emissões de usinas de energia.

ü  Promoção de combustíveis fósseis: a administração prioriza a "dominância energética" através da expansão da extração de petróleo, gás e carvão em terras federais, em oposição ao investimento em energia limpa.

ü  Cortes de financiamento e pesquisa: bilhões de dólares em fundos e créditos fiscais para energia limpa foram cancelados e laboratórios de pesquisa climática da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) enfrentam fechamento. 

 Isolamento  Por sua vez, críticos entendem que a política retrógrada comandada por Trump só deverá prejudicar a economia dos EUA no longo prazo, bem como vão isolá-los dos demais players internacionais, com destaque para a Europa.


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