Expectativas irreais podem ‘estourar a bolha’ da IA
Sem ‘sinais concretos’, crise
da nova tecnologia deve se agravar
Marcello
Sigwalt
A exemplo da crise deflagrada pelas empresas ‘pontocom, nos anos
90, a bolha da Inteligência Artificial (IA) corre o risco de estourar a
qualquer momento. Isso porque ambas apresentam características em comum, como
altas expectativas, investimentos maciços e avaliações de mercado elevadas que
podem não corresponder a um retorno financeiro imediato.
O argumento central para o desencadeamento dessa crise, de
origem, a princípio, não humana, é a montagem de um cenário em que o mercado
financeiro deve demandar sinalizações concretas, associadas à produtividade e
rentabilidade da IA, caso contrário, será proceder à uma 'correção de rumos'. Nesse rol, se inserem, tanto o eventual impacto das tarifas comerciais ianques, quanto o declínio do contingente de imigrantes nos EUA, que podem ‘derrubar’ as
ações de grandes empresas campeãs de tecnologia (big techs).
Na avaliação de especialistas internacionais, tal estouro
poderia ocorrer, nos próximos meses deste ano, em decorrência dos seguintes
fatores, em destaque:
v
Baixo Retorno
sobre o Investimento (ROI): bilhões de dólares estão sendo investidos em infraestrutura de
IA, mas o retorno financeiro real (receita) ainda é baixo em comparação ao
gasto. Se as empresas não demonstrarem lucros claros e rápidos, a confiança dos
investidores pode cair, gerando uma venda massiva de ações.
v
Custos de energia
e infraestrutura insustentáveis: o custo para construir e manter data centers é altíssimo, com
previsões de que a dívida para essa infraestrutura possa superar 1 trilhão de
dólares até 2028. Escassez de energia e componentes (chips) pode frear o
avanço, tornando os custos inviáveis.
v
"Euforia"
e valorações excessivas: startups e empresas de IA estão sendo avaliadas com base em um
hype (exagero) sobre seu potencial futuro, e não em fundamentos financeiros
sólidos atuais. Se o mercado perceber que as expectativas foram exageradas, os
preços das ações podem despencar.
v
Limitações técnicas
e “alucinações”: se a IA não entregar a produtividade prometida ou falhar
criticamente em segurança e precisão, a adoção pode diminuir.
v
Fatores geopolíticos
e tarifas: restrições comerciais (tarifas) e imigratórias, especialmente
nos EUA, podem limitar a capacidade das gigantes da tecnologia de contratar
talentos e adquirir hardware necessário.
v
Obsolescência rápida (startups): a rápida evolução dos modelos
fundamentais pode fazer com que startups de aplicações de IA se tornem
obsoletas em questão de meses, sendo esmagadas pelos grandes provedores.
Antes mesmo de a derrocada tecnológica se confirmar, se
multiplicaram alertas nessa direção, como a perda colossal de US$ 17,44
bilhões no quarto trimestre (4T25), apurada pela maior detentora de bitcoin
(BTC) do planeta, a Strategy, a reboque da baixa acentuada do estoque de 712.647
bitcoins (US$ 63 bilhões). No mesmo período do ano anterior (4T24), o prejuízo
líquido da companhia chegou a US$ 670,8 milhões, o equivalente a US$ 3,03 por
ação.
Na verdade, a queda livre do mercado cripto (bear market, no jargão
do setor), atualmente em curso, aponta o CEO da Ripio, Sebástian
Serrano, foi precipitada pela ‘troca de mãos’ de bitcoins das corretoras de
criptomoedas para os fundos negociados em bolsa (ETFs) desses ativos. “Desde setembro de 2024, o balanço das exchanges não parou de
cair. Vemos queda de mais de um milhão de bitcoins. Esse um milhão de bitcoins
foi para os ETFs”, revelou.

E quando a bolha estourar?
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