Crescimento econômico de 2026 já está comprometido
Avanço de 1,66% do PIB é o segundo pior da história
Reprodução redes sociais
Marcello Sigwalt
Sufocado
pela volúpia federal por gastos crescentes – que obrigam o Banco Central (BC) a
manter a taxa básica de juros (Selic) em estratosféricos 15% ao ano, a segunda
maior do mundo – com inegável motivação eleitoreira, o crescimento econômico do
país deste ano já está comprometido, pois não deverá passar de 1,66%, prevê a
própria autoridade monetária. Esse patamar ‘pífio’ só perde para o registrado
em 2020, quando o recuo chegou a 3,3%, por conta do evento global da pandemia
da Covid.
Modelo esgotado – A despeito das
previsões de mercado (que atestam o ‘esgotamento’ do modelo de obtenção de
superávits primários pelo lado da receita, mas sem qualquer controle de despesa),
o BC descartou a possibilidade de flexibilização da Selic no curto e médio prazos,
adiantando que o aperto monetário deverá continuar ‘sine die’ ou, como se diz
no jargão econômico, até se consumar o ‘horizonte relevante’ do pleito, no
final de 2026.
‘Combo de maldades’ – Entre os fatores determinantes
da asfixia da atividade tupiniquim, em consulta corriqueira, a IA (Inteligência
Artificial) elencou um ‘combo de maldades’ que não deixa dúvidas: Selic elevada,
inflação persistente, endividamento crescente de famílias e incertezas fiscais,
que, por sua vez, dão origem a instabilidades do naipe de perda de confiança
empresarial; restrições de crédito; produtividade declinante e deficiência
flagrante no ‘ímpeto’ da infraestrutura.
‘Aperto patrocinador’ – Além de encarecer o
crédito, desestimular o consumo de famílias e restringir o investimento na
produção pelas empresas, a política monetária contracionista ‘patrocina’ a
percepção de desequilíbrio das contas públicas e a desconfiança crescente na
condução da política econômica, que descambam em pressão adicional sobre o câmbio
e os juros futuros.
‘Estrago interno’ – No nível interno, o
estrago não é menor: alto endividamento de famílias; perda do poder de compra e
recuo de serviços e comércio. Na perspectiva de longo prazo, os investimentos
em tecnologia e infraestrutura de transportes ‘deprimem a competividade econômica.
‘Arsenal de obstáculos’ – Todo esse arsenal de ‘obstáculos’
estruturais é agravado por um ambiente de negócios marcado por complexidade
tributária e burocracia excessiva, o chamado ‘Custo Brasil’, sério entrave à
expansão dos negócios. Para completar, em que pese exibir um nível de emprego
considerado, historicamente, baixo, este dá sinais claros de desaquecimento, em
decorrência da perda de dinamismo da economia.
‘A hora da volatilidade’ – De acordo com fontes
ouvidas pelo site Brazil Economy, ‘volatilidade’ é a expressão que define o
perfil da economia verde-amarela este ano. Segundo o CEO da W3 Investimentos,
Júlio Damião, “não estamos entrando em um período de turbulência, nós já
estamos nela. A grande diferença é que agora a turbulência deixou de ser
temporária e passou a ser estrutural”.

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