Clientes vão arcar com o rombo de R$ 55 bi do Master

Instituições financeiras que compõem o FGC elevarão tarifas e juros


 Freepik (IA)

Marcello Sigwalt

Quem pensa que o ‘rombo’ bilionário (que poderá superar a casa dos R$ 55 bilhões, na estimativa mais recente) protagonizado pelo banco Master – com conexões em todos os ‘barnabés’ da República, do Executivo, Legislativo ou do Judiciário – poupará o contribuinte-eleitor honesto, se engana redondamente.

Na verdade, o ‘socorro’ dado pelo Fundo Geral de Crédito (FGC) – que, até sexta-feira (23), já havia repassado R$ 26 bilhões a 521 mil investidores da instituição fraudulenta liquidada tardiamente pelo Banco Central (BC) – será pago integralmente pelos clientes seus bancos associados, via majoração de tarifas e juros, sem contar uma contribuição extraordinária mensal, a fim de recompor a caixa do Fundo.

É a prova cabal de que, mais uma vez, o cidadão é convocado a pagar pela ‘roubalheira institucionalizada’ e crescente de Pindorama, pois a antecipação da cobrança de cinco anos de contribuições dos bancos ao fundo deverá aumentar seu custo operacional, a ser repassado automaticamente à clientela.

Mas tal ‘efeito dominó’ não deve ficar por aí, pois seu impacto – maior rombo da história do país – deve dar origem a novos pacotes de serviços (mais caros, é claro) e outras tarifas, a subtraírem recursos ‘suados’ das contas dos trabalhadores. No entanto, ao que parece, essa conta deve aumentar, uma vez que o Will Bank, fintech associada ao Master, acaba de ter sua liquidação decretada pelo BC.

Convenientemente, tanto o instrumento de antecipação de recursos, quanto a cobrança extraordinária, estão previstos nas normas do FGC, que pode executar a cobrança antecipada de 13 até 60 contribuições mensais – o equivalente a cinco anos de contribuições – no momento em que seu patrimônio do Fundo requeira receitas adicionais frente às obrigações.

De modo semelhante, o FGC igualmente acionou o processo de garantia em favor dos depositantes e investidores do Will Bank (no valor de R$ 6,3 bilhões), mas deixará a ‘ver navios’ seus correntistas, não atingidos pelas compensações do Fundo, com exceção daqueles que adquiriram produtos financeiros em 2024.

Diferentemente do perfil de balcão de negociatas e corrupção que caracterizou a liquidação do Master – cuja demora, face às denúncias, foi adiada sem base técnica alguma – a do banco Bamerindus, em 1997, é cercada de controvérsias, até hoje não devidamente esclarecidas. 

Em que pese o desembolso de R$ 3,7 bilhões – o equivalente a R$ 19,9 bilhões hoje, para indenização de 3,9 milhões de clientes – à CPI do Sistema Financeiro da época, o ex-dono do Bamerindus e ex-ministro, José Eduardo Andrade Vieira, afirmara que o banco foi “quebrado” pelo governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), sob o argumento de que nada foi feito pela autoridade monetária para conter a ‘onda de boatos’ que resultou em uma crise de liquidez e em um patrimônio líquido negativo de R$ 4,2 bilhões da instituição financeira, cuja ‘parte boa’ foi transferida (agências e ativos) ao HSBC. Mais tarde, a CPI do Proer classificou a atuação do BC como ‘omissão criminosa’, não somente no caso do Bamerindus, mas em relação a muitas outras instituições. 

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