Brasil tem a carga tributária mais alta dos países em desenvolvimento
Peso dos impostos ‘emperra’ a criação de empregos na construção civil
Marcello Sigwalt
Não é o salário mínimo ou a renda tupiniquim, o que mais cresce
no país, mas a famigerada carga tributária, em trajetória firme e ascendente
nos últimos 35 anos (próxima de 34% do
PIB), em contraste direto com a evolução do salário mínimo, de pouco mais de R$
1.600, quando já deveria ser de R$ 7 mil, pelos cálculos do Dieese
(Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos).
Além de mais elevada, a carga brasileira se diferencia dos demais
países em desenvolvimento por concentrar a maior parte da arrecadação, que a
sustenta, no consumo e nas folhas de salários, ‘poupando’ a renda e a
propriedade do crivo do Fisco. Por que será?
A gênese da escalada tributarista, porém, se situa na
promulgação da Constituição de 1988 que, no afã de atender o clamor pelo
resgate da dívida social, enfatizou o caráter de direitos do cidadão, mas abriu
margem, muitas décadas depois, para o abandono de qualquer resquício de responsabilidade
fiscal, por parte do mandatário de plantão, que busca a reeleição. Que as próximas
gerações de eleitores paguem a conta do rombo das contas públicas!
Desta forma, o dispositivo constitucional serviu de base legal
para instituição de medidas para financiamento de serviços públicos
recém-criados, cuja profusão hoje compromete quase que inteiramente a
capacidade de investimento público.
Em consulta livre à web, é possível identificar alguns fatores determinantes
para a ascensão meteórica da voracidade fiscal sobre o contribuinte. São eles:
v
Aumento de tributos federais: O governo federal tem sido o
principal responsável pelo aumento da arrecadação, principalmente através de
contribuições sociais (como PIS/COFINS e CSLL) e, mais recentemente, pelo IR.
v
Pressão dos municípios: As administrações municipais vêm
aumentando sua participação, com destaque para o ISS (Imposto sobre Serviços).
v
Desonerações estaduais: Nos últimos anos, os estados viram
uma redução na carga, especialmente com a redução do ICMS sobre combustíveis em
2022-2023.
Construção civil é
afetada – Um dos principais responsáveis pela criação de empregos no
país, a indústria da construção civil ‘elegeu’ a carga tributária como o maior entrave
ao desenvolvimento da atividade, aponta a Sondagem da Indústria da Construção,
divulgada nessa quarta-feira (28), pela CNI (Confederação Nacional da Indústria).
Em patamar semelhante ficaram os juros elevados (vide aperto
monetário do BC, que mantém, desde junho passado, a Selic em 15% ao ano); a
falta de qualificação de mão-de-obra e dificuldades de acesso ao crédito. Do
terceiro para o quarto trimestre de 2025 (3T25-4T25), a carga saltou de 32,2%
para 37,2%, ao passo que os juros chegaram a 32,1%.
Na avaliação do gerente de Análise Econômica da CNI, Marcelo
Azevedo, “o ciclo de atividade da indústria da construção é longo e o setor tem
grande necessidade de crédito para fazer os empreendimentos. À medida em que o
acesso ao crédito está difícil e caro, por conta das taxas de juros elevadas, o
setor é muito afetado”.
Ao mesmo tempo, Azevedo ressalva que “o lançamento de programas
importantes para o setor, como o novo modelo de crédito imobiliário e a
disponibilização de financiamentos para a reforma de casas de pessoas de baixa
renda, além da expectativa de redução da taxa Selic no futuro próximo, ajudam a
explicar as expectativas positivas da construção”.
Outro indicador relevante, o índice de satisfação com o lucro
operacional recuou 0,3 ponto, para 45,1 pontos, o que sinaliza crescimento da
insatisfação do empresário em relação às margens de lucro. Já o índice que mede
a evolução do nível de atividade da indústria despencou de 48,2 pontos em
novembro último, para 44,7% atualmente, o que corresponde ao menor patamar para
o mês, desde 2018.

Carga tributária sufoca a indústria
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