Arrecadação federal bate recorde, endividamento também

Voracidade fiscal garante R$ 2,9 tri ao Erário em 2025; 80% das famílias em apuros

 


Sindicato dos Bancários - CUT  

Marcello Sigwalt

Sintoma de anestesiamento coletivo, o recorde de arrecadação do governo em 2025 (R$ 2,9 trilhões, alta real de 3,65%, ante 2024) contrasta, de forma vergonhosa, com o elevado endividamento de 80% das famílias brasileiras, segundo Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (Peic), da Confederação Nacional do Comércio (CNC), em que as dívidas já ‘abocanham 49,3% da renda anual e 29,4% da renda mensal.

A despeito do conveniente ‘silêncio’ da grande mídia, diante de tal flagrante disparidade, o fato é que o aperto monetário (vide Selic ‘imexível’ em 15% ao ano, há meses) compromete o crescimento econômico 'sine die', a pretexto de conter uma inflação resiliente, por sua vez, alimentada pela gastança federal,  perpetuando um desajuste fiscal proposital e francamente eleitoreiro. A afronta à economia popular acabou sendo sancionada, após intensa batalha judicial, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que liberou geral o aumento de impostos.

A voracidade tributária exacerbada da república dos trabalhadores desmente o discurso triunfalista palaciano – que lhe rendeu a melhor performance fiscal em 31 anos – a julgar pelos efeitos perniciosos impostos à população, como segue:

Renda comprometida: 49,3% da renda anual.

Inadimplência:  30,5% do total de famílias  inadimplentes.

Juros estratosféricos:  crédito mais caro dificulta o pagamento.

Sem reserva de emergência: ausência de colchão financeiro para imprevistos.

Desemprego e queda de renda: mercado de trabalho em desaceleração reduz oferta de vagas e impacta o orçamento familiar.

Ao mesmo tempo, agravam o ciclo vicioso do endividamento:  

Crédito fácil e impulso: falta de planejamento no uso do cartão de crédito, cheque especial e empréstimos.

Apostas online (bets): estatísticas mostram que 57% dos endividados já possuíam dívidas quando começaram a apostar, como recurso ilusório para superar problemas financeiros.

Cabe salientar que a posição superavitária do Erário foi construída com a elevação da alíquota de muitos impostos, ao longo de 2025, como:

  • Tributação de fundos exclusivos (alta renda) e das "offshores" (exterior);
  • Mudanças na tributação de incentivos (subvenções) concedidos por estados;
  • Aumento de impostos sobre combustíveis feito em 2023 e mantido desde então;
  • Retomada do voto de confiança no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf);
  • Limitação no pagamento de precatórios (decisões judiciais);
  • Imposto sobre encomendas internacionais (taxa das blusinhas);
  • Reoneração gradual da folha de pagamentos;  
  • Fim de benefícios para o setor de eventos (Perse);  
  • Aumento do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras)
  • Tributação de bets e fintechs, ambas as medidas ratificadas pelo Congresso Nacional.
  • (Fonte G1).

Como seria de esperar, a perspectiva é de aprofundamento de dívidas, tanto do contribuinte, quanto do Executivo, levando em conta a previsão do Tesouro Nacional, de que as contas públicas permanecerão no ‘vermelho’, pelo menos, até 2027, mesmo que se mantenha a marcha altista dos impostos e a expansão da dívida pública.

Para especialistas, os maiores desafios da próximo mandato – seja ele de que titular for – estão associados à preservação da estabilidade macroeconômica e da estrutura de crédito, com foco na estabilidade da renda e no controle da inadimplência. Tal combinação é considerada fundamental para que não se perca de vista a retomada da prosperidade, em lugar do cenário atual, marcado pela vulnerabilidade da economia pátria. 

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