'Miopia' da política monetária pode reconduzir o país à hiperinflação
Selic elevada por longo tempo subtrai eficácia da busca de controle da inflação
À medida que o Banco Central (BC) usa (e abusa) da prerrogativa
constitucional de ‘zelar’ pela moeda pátria e combater a inflação resiliente, provocada
pelo perdularismo estatal eleitoreiro – eufemismo para a maior operação de transferência
de renda, mas do combalido cidadão ‘extra tributado’ para os já super-ricos
bancos, via manutenção de uma Selic ‘estratosférica’ de 15% ao ano, por tempo
indeterminado – o ‘fantasma’ da indexação, velho conhecido dos brasileiros, dos
tempos de hiperinflação, volta a assombrar a economia tupiniquim.
‘Ciclo vicioso’ – O ato seguinte,
dessa comédia de erros em série da gestão econômica, seria a consolidação de um
‘ciclo vicioso’, alimentado pela indexação formal e informal de preços, salários
e contratos na economia. Aqui a explicação é simples: quando a Selic permanece
elevada por longo tempo, como é o caso, ela se torna um custo financeiro
expressivo para as empresas, de maneira geral, repassado automaticamente ao
preço final de produtos e serviços. É a chamada ‘inflação de custos’, que destoa da
cantilena tecnocrática da autoridade monetária, de conduzir a inflação à meta.
Contramão – Na contramão deste
último argumento, a mais recente ata do Copom (Comitê de Política Monetária)
admitiu que “as expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e
obtidas de diferentes grupos de agentes seguiram trajetória de declínio, mas
permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes”.
Indexação – Qualquer manual
elementar de economia contém a premissa de que, no contexto de uma “economia indexada,
reajustes automáticos de preços e salários, com base em índices de inflação passados
(inércia inflacionária), a indexação resultante ‘garante’ que a inflação continue
alta no período seguinte, independentemente da demanda”.
Sem eficácia – A conclusão aqui é
óbvia: o aperto monetário prolongado perde a eficácia, até porque a verdadeira causa
da resiliência inflacionária, como sabido, é o déficit fiscal, causado pela
leniência de ignorar o desequilíbrio das contas públicas, via adoção de múltiplos
programas de caráter flagrantemente assistencialista para cooptação de votos
entre os menos favorecidos da sociedade, com mira única no pleito do ano que vem.
Estagflação – O último estágio de
tal política monetarista monolítica (que beira a irresponsabilidade) é o pior
estado econômico possível, a estagflação, em que o dinamismo da atividade dá
lugar à estagnação da economia, ante taxa altas de inflação. Isto sem contar
com a previsível quebradeira de empresas, expansão do desemprego e aprofundamento da crise
social, causada pelo encarecimento crescente do crédito.
‘Dose extra’ – No entanto, tal
quadro dantesco pode se agravar, pois a ata da autarquia adianta
que poderá elevar, ainda mais, a Selic, caso seja necessário para manter tal política
míope e obsessiva, cujo principal ‘bode expiatório’ já está previamente eleito:
a inflação de serviços, resiliente e ‘turbinada’ pela recuperação (quase milagrosa)
da renda nacional e do nível de emprego.
Cai ocupação – Sinalização
inequívoca do arrefecimento econômico, em que pese a continuidade, em níveis
baixos, da taxa de desemprego no país, o contingente de população ocupada
registrou retração, assim como sua participação no total geral.
Presente de grego – Por fim, a 'toada perdulária' do Planalto vai brindar a população e as futuras gerações com
um verdadeiro ‘presente grego de Natal’, uma dívida pública superior a R$
8,8 trilhões, que se aproxima de 92% do PIB, despertando temores entre analistas
quanto à solvência do país.

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