Intervenção humana em IA é o maior diferencial corporativo
Interação do homem com a máquina ‘turbina’ tomada de decisões
Marcello Sigwalt
A disseminação da Inteligência Artificial (IA) pelo planeta, na
velocidade da luz, ao contrário do que se poderia pensar, está forçando o
mercado a recolocar o homem no centro de suas decisões, estratégias ou planos
de crescimento.
Isso porque a espécie feita de carne e osso, em que pese sua suposta
fragilidade, é determinante na tomada de decisões, organização de times,
treinamento de talentos e execução de tarefas e obtenção de taxas de sucesso
dos empreendimentos corporativos.
O entendimento dominante no mercado é no sentido de que o principal
diferencial humano está associado a habilidades, como consciência, emoção e
julgamento ético-moral, o que não pode ser replicado pela IA, inequívoca ferramenta
poderosa para fins de automação e processamento de dados, mas inteiramente ausente,
no que toca à profundidade da experiência humana.
No momento em que cresce o debate em torno dos reflexos da aplicação intensiva
da IA – como demissões em massa e opção preferencial da automação nos processos
de produção – o fator humano se mantém como vantagem competitiva crucial para o êxito
dos negócios, pois não há invenção tecnológica, por mais revolucionária
que seja, que substitua atividades tipicamente humanas, como alinhamento de
cultura, liderança e talentos diversos. Portanto, aquelas companhias que
reincorporarem, mais rapidamente, tais conceitos humanos, quem diria, é que vão
sair na frente, por meio desse diferencial competitivo insubstituível, pelas
próximas décadas.
A constatação do óbvio ganhou corpo, durante o Council of the Americas,
em Miami, Flórida (EUA) – reunindo, recentemente, executivos como Jaime Vallés (AWS), Cristina
Junqueira (Nubank) e João Schmidt (Votorantim), além de outros executivos
globais – que resultou numa conclusão de consenso: “A IA é, antes de tudo, uma
transformação humana”, pois permite automatizar tarefas, pressionar funções
operacionais, mas também serve para ‘redesenhar’ a forma de trabalho das equipes e induz a uma atuação mais próxima da tecnologia pelos líderes,
mediante ciclos de aprendizado ‘mais contínuos’.
Enquanto lideranças passaram a experimentar, testar e incorporar a
tecnologia às suas atividades diárias, as empresas adquiriram mais autonomia
interna, reduziram níveis de aprovação em cascata, mas também estimularam suas
equipes a ousar em testes de novas soluções, com liberdade. Imersa nesse
ambiente, apontam especialistas, a IA reveste-se de vantagem competitiva. Sem
ele, porém a tecnologia se resume a mais um projeto.
Ao acentuar que a ‘reimaginação’ de processos determina empresas que
crescem ou permanecem estagnadas, o executivo Jaime Vallés (AWS) revela que
apenas 3% das empresas vêm redesenhando processos com IA, ao passo que 97% delas
usando IA somente para automatização do que já existe (automação do velho), sem
transformação real. Isso pode explicar porque uma em duas empresas adquirentes
da tecnologia colhe ganhos expressivos.
Para explicitar, ainda mais, a distinção entre humano e máquina, basta
dizer que reimaginar criar novas formas de operar, novos produtos, novas
experiências, o que configura uma ‘vantagem competitiva de verdade’.
Para o cumprimento dessa tarefa, ou reinvenção (como queiram), porém, é
necessário mais do que capacidade técnica (ou tecnológica), mas coragem
organizacional para abandonar processos antiquados, além de autonomia para
experimentar e talento prévio para atuar de forma diferenciada.
Isso sem falar de competências como inteligência emocional e empatia
(compreender, sentir e responder às emoções de outras pessoas), criatividade e
inovação genuínas (capacidade de inovar, pensamento abstrato e criação de algo original
e disruptivo) e julgamento ético e moral (diferentemente do uso de algoritmos e
dados programados, isentos de consciência ou senso do 'certo ou errado', o
julgamento humano é requisito básico para a tomada de decisões qualitativas,
inclusivas e transparentes, quando se trata de lidar com dilemas éticos.
Nesse rol, acrescenta-se o fato de
os seres humanos possuírem consciência de si mesmos, o que lhes faculta dispor
de motivações e da compreensão de seu lugar no planeta, algo inexistente em
sistemas de IA.
Por fim, o topo da criação divina (e não humana) possui pensamento estratégico
e visão de longo prazo, que envolvem avaliações sobre contextos complexos, além
de intuição e capacidade de definir, tanto propósito quanto direção, superando,
enfim, o processamento lógico de dados da tecnologia dita artificial.
Comparativo de inteligência artificial x inteligência humana
|
Característica |
Inteligência Artificial (IA) |
Inteligência Humana (IH) |
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Origem |
Criada por
humanos através de algoritmos e dados. |
Inerente aos
seres humanos, resultado da evolução biológica. |
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Natureza |
Digital, baseada
em processamento de dados e padrões. |
Analógica,
baseada em processos cognitivos complexos, biológicos e experienciais. |
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Consciência |
Não possui
autoconsciência ou consciência de si. |
Possui
autoconsciência e consciência do mundo ao redor. |
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Criatividade |
Gera novidades
com base em padrões existentes nos dados de treinamento. |
Capaz de
criatividade genuína, intuição e improvisação. |
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Aprendizado |
Aprende com
grandes volumes de dados e treinamento para tarefas específicas. |
Aprende através
de experiência, contexto, emoções e interações. |
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Tomada de decisão |
Objetiva,
baseada puramente nos dados e algoritmos. |
Capaz de tomar decisões
baseadas em experiência, contexto subjetivo e emoções. |
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Adaptabilidade |
Limitada pelos algoritmos e
pela programação. |
Capaz de se adaptar
flexivelmente a novas situações e ambientes. |
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