Custo da violência ‘sangra’ o país em R$ 1,3 trilhão

Montante subtraído pela criminalidade não desperta indignação social

 

Agej

Marcello Sigwalt

Contradições à parte, por que será que o número astronômico do custo da violência no país (R$ 1,3 trilhão) exerce mais ‘fascínio’ do que a justa indignação pela decorrente colossal dívida social deveria despertar na república verde-amarela? 

Para se ter uma ideia, com o montante de nosso futuro, surrupiado pelo crime, seria possível construir (pasmem!) 8,2 milhões de casas populares; cerca de 32 mil hospitais públicos e mais de 236 mil escolas públicas.

Dano irreversível – Muito além de discutir os dados em si, importa aqui refletir (e se posicionar) a respeito do dano irreversível à cidadania pátria, quantas vidas poderiam ser salvas, quantas crianças escolarizadas seriam resgatadas das garras do tráfico e quantas famílias teriam assegurado o direito constitucional à uma moradia decente, na “terra em que se plantando, tudo dá”, proclamou, certa vez, um ‘general de pijama’, que preferia o ‘cheiro de cavalos ao do povo’.

Conta da ‘viúva’ – Mais do que constatar que a ‘bagatela trilionária’ tupiniquim supera o PIB de muitos países, vale saber que, somente em despesas com segurança pública e privada, a conta da ‘viúva’ chega a 6% do PIB, ou seja, acima dos R$ 700 milhões anuais.

PIB recua – Segundo estudos conjuntos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), cada morte violenta custa, ao menos, R$ 1 milhão aos cofres federais. Outra sequela desse drama recorrente é a perda de 0,6 ponto percentual do PIB, todos os anos, devido à criminalidade, calculou o Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Crime ‘premiado’ – Em contrapartida, o sistema ‘premia’ o crime organizado, cujos ‘tentáculos’ pela economia formal lhe permite faturar mais de R$ 350 bilhões, se considerado um período de três anos, por sua atuação ‘impune’ em vários setores econômicos, como é o caso dos combustíveis.

Agravamento – A despeito do ‘escândalo marginal’, fartamente exposto pela mídia, nada foi feito, de concreto, pelos poderes constituídos. Ao mesmo tempo, agravam-se problemas socioeconômicos como desigualdade, desemprego e insuficiência nas políticas públicas de segurança, fatores que realimentam o ciclo de violência, sobretudo, nas grandes cidades.

Custos – Enquanto o setor público apura custos elevados de policiamento e dos sistemas judiciário e prisional, o privado arca com perdas de produtividade, de investimentos, aumento de custos de seguros e da insegurança, que resultam em perda de qualidade de vida. Do ponto de vista macroeconômico, cai a confiança dos investidores, mingua a atração de novos negócios e ‘patina’ a estabilidade financeira nacional.  

Impacto econômico – Para que seja revertido o impacto econômico crescente do avanço do crime (com destaque para o aprofundamento das desigualdades sociais e o comprometimento do desenvolvimento sustentável), a sugestão de especialistas é no sentido de que sejam fortalecidas as instituições de segurança pública, introduzidas reformas para atualização do sistema de Justiça e sejam promovidos investimentos em educação, sem contar a adoção de programas sociais com foco na questão da criminalidade. Em paralelo, a cooperação internacional é outro diferencial relevante, mediante a troca de experiências, que implique aporte de recursos financeiros.

 

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