A conta do desajuste fiscal chegou: Brasil fora do 'Top Ten'

Empobrecimento nacional decorre do arrocho monetário que financia gastança federal

 


Marcello Sigwalt

Fora do Top Ten. Dono do mais competente agronegócio do globo; de uma fabricante de aviões imbatível comercialmente e de uma tecnologia financeira de primeira linha, o Brasil acaba de ser excluído do seleto grupo das dez nações mais ricas do mundo. 

Mas como entender que, mesmo diante de tantos predicados excelentes, o país ‘deu marcha a ré’, descendo da 10ª para 11ª posição – no ranking do PIB em dólares das maiores economias mundiais, medido pela consultoria internacional Austin Rating – após a Rússia saltar da 11ª para 9ª, mesmo estando em guerra, há quatro anos, com a vizinha Ucrânia e o Canadá, baixando da 9ª para 10ª?  

‘Sangria’ – Aqui a resposta é imediata: a ‘sangria’ de nosso futuro está sendo executada, aqui e agora, mediante a manutenção ‘criminosa’ de uma taxa básica de juros (Selic), é bom que se repita, absurdamente elevada, de 15% ao ano, a segunda maior taxa real do planeta, de 9,6% ao ano. Tudo à custa de garantir, mediante perdulários programas assistencialistas (e de incentivo artificial ao consumo) que garantam a reeleição do atual mandatário do país. O povo brasileiro, embora eleitor de conveniência, que fique para depois...  

Desajuste fiscal – O arrazoado tecnocrático do Banco Central (BC), via ata do Copom, baseado na ‘necessidade de conduzir a inflação à meta’ não resiste à constatação, já consensual entre analistas do mercado, de que o dinamismo econômico está sendo comprometido pelo desajuste fiscal continuado e proposital, haja vista a retração da atividade no terceiro trimestre deste ano (3T25), que cresceu ‘pífio’ 0,1% ante o trimestre anterior, segundo dados das Contas Nacionais trimestrais, publicadas pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Contraste – Na verdade, este só não ficou negativo graças, mais uma vez, ao desempenho positivo dos setores agropecuário e extrativo mineral, enquanto indústria e serviços exibem sinais evidentes de desaceleração. Se considerados os últimos quatro trimestres, a produção rural subiu 9,6%, bem acima do avanço de 1,8% da industrial e dos 2,2% dos serviços.

Caranguejo’ – Neste aspecto, o consumo das famílias estacou, no mesmo patamar percentual do PIB trimestral. Dessa forma, deixaram para trás a pátria tupiniquim a China (1,1%), Canadá (0,6%), África do Sul (0,5%) e França (0,5%), mas seu resultado foi replicado por Reino Unido (0,1%), Itália (0,1%), e Angola (0,1%).

‘Receita amarga’ – A perspectiva no curto e médio prazos é dada pelo próprio boletim Focus – consulta semanal do BC às 100 maiores instituições financeiras nacionais – no sentido de que a limitação deve marcar a expansão econômica do país, nos próximos anos, mediante um crescimento anual jamais superior a 2%. A receita regressiva para a ‘gestão econômica do desequilíbrio’ contém ingredientes amargos, como juros altos, crédito caro, insegurança jurídica e taxa de investimento declinante.

Estagnação – Uma estagnação estatística. Assim definiu o colunista do Estadão, Álvaro Gribel, ao analisar os números do 3T25, ante o anterior. “Um ponto importante nos dados do PIB e que vem se repetindo trimestre a trimestre é a baixa taxa de poupança da economia, que afeta a taxa de investimento. No terceiro trimestre deste ano, a poupança permaneceu em 14,5% do PIB, o mesmo número de 2024, enquanto a taxa de investimento caiu de 17,4% para 17,3%”.

Sempre o fiscal – Prosseguindo em sua preleção, Gribel lembra que “para efeito de comparação, nos anos em que o Brasil cresceu de forma mais forte e sustentável, entre 2004 e 2008, a taxa de poupança passava de 20%, o que fez a taxa de investimento chegar a 21%. A diferença é que, naquela época, o governo tinha fortes superávits primários, ou seja, poupava recursos para reduzir a sua dívida, o que tinha como efeito colateral alavancar investimentos pelo setor privado. De um jeito ou de outro, a discussão sobre a economia brasileira se direciona para a política fiscal”.

‘Caranguejo presidencial’ – Fechando sua análise do cenário econômico de Pindorama, o colunista do Estadão pontifica: “O governo gastar menos é a chave para o País voltar a crescer mais fortemente. É isso que vai permitir a queda da inflação, dos juros, e os aumentos das taxas de poupança e investimento. Lula, contudo, deve seguir o caminho contrário”.

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