Selic 'nas alturas' determina ‘tombo’ na criação de empregos no
país
Caged apura pior saldo
de novos postos de trabalho da série histórica
A pouco menos de um ano do pleito presidencial que pode reconduzir
a camaradagem palaciana ao posto supremo da Nação, a gestão fiscal desastrosa
petista (perdulária por excelência e ineficaz por princípio), além de exigir
uma Selic (taxa básica de juros) nas alturas (15% ao ano) deu uma ‘trava’ na
economia, como se constata pelo pior saldo de criação de vagas formais de
trabalho da história do país, em outubro (85.147), desde o início da série do
Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em janeiro de 2020,
correspondendo a 2.271.460 admissões para 2.186.313 desligamentos.
Aquém – Tal resultado
ficou muito aquém da expectativa do mercado, que contava com a abertura de, ao
menos, 105 mil novas vagas. Ainda assim, este ficaria bem abaixo dos 131.424 postos
de trabalho criados, em igual mês de 2024.
A trajetória declinante da economia se reflete no fato de que apenas
dois, dos cinco grupamentos de atividades econômicas exibiram saldo positivo no
mês passado, liderado pelos serviços, com 82.436 contratações, seguido pelo
comércio, com 25.592 vagas. Em contrapartida, a construção registrou o fechamento
de 2.875 postos, enquanto a agropecuária e a indústria encerraram 9.917 e
10.092 vagas, respectivamente.
Incisivo – Mais veraz que a
conveniente alegação de ‘elementos sazonais’, apontada como justificativa para
o ‘tombo’ no mercado de trabalho pelo ministro da respectiva pasta, Luiz
Marinho, o economista-chefe da Austin Rating Alex Agostini foi mais incisivo, ao
afirmar que “o Brasil não tem ganho real de produtividade, convive com apagões
de mão de obra e expande programas sociais sem garantir capacitação
profissional”. Na sua avaliação, independentemente da ‘longevidade’ do aperto
monetário, há um ‘enrosco estrutural’ que afeta o nível de emprego, mês a mês.
A salvo – Salvo de
críticas pelos juros altíssimos que vitima empregos e vidas, Brasil a fora – ao
contrário de seu antecessor, Campos Neto, alvo preferencial do mandatário
esquerdista, embora este praticasse a mesma política de arrocho monetário, pelos
mesmos motivos, a gastança federal – o presidente do Banco Central (BC), Gabriel
Galípolo, não hesitou em manifestar sua solene indiferença com relação aos
efeitos deletérios da Selic estratosférica sobre a atividade econômica.
Jogo de palavras – Abusando do
jogo de palavras, mais para confundir do que para explicar, o xerife da
autarquia se limitou a afirmar que “crescimento sem desenvolvimento não basta”,
emendando que “não tem nenhum dado específico que tenha mudado a nossa direção”.
Isto é, o BC pretende reduzir os juros básicos, pois a “Selic seguirá firme [no
mesmo patamar sideral] em 15% ao ano”.
Caminho certo? – Para Galípolo, “a
política monetária está no caminho certo”, adiantando que o Copom não pretende “correr
para acompanhar a ansiedade do governo”. Neste caso, seria mais apropriado
trocar o termo ‘ansiedade do governo’ pela ‘necessidade de sobrevivência’ da
população, questão secundária para tecnocratas bem remunerados de alto escalão.
Próximo de zero – Reforçando o
tom realista exposto por Agostini, o economista-chefe da EQI Asset, Stephan
Kautz observa que os números do Caged indicam um quadro nítido de desaceleração
no mercado de trabalho. Embora descarte, num primeiro momento, o risco de
colapso do emprego, Kautz apontou uma tendência clara de retração no processo
de criação de novas vagas, em que a expectativa é de um crescimento ‘próximo de
zero’ do indicador, nesse segundo semestre.

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