Selic 'nas alturas' determina ‘tombo’ na criação de empregos no país

Caged apura pior saldo de novos postos de trabalho da série histórica

Sindicato dos Comerciários de São Paulo

Marcello Sigwalt

A pouco menos de um ano do pleito presidencial que pode reconduzir a camaradagem palaciana ao posto supremo da Nação, a gestão fiscal desastrosa petista (perdulária por excelência e ineficaz por princípio), além de exigir uma Selic (taxa básica de juros) nas alturas (15% ao ano) deu uma ‘trava’ na economia, como se constata pelo pior saldo de criação de vagas formais de trabalho da história do país, em outubro (85.147), desde o início da série do Novo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), em janeiro de 2020, correspondendo a 2.271.460 admissões para 2.186.313 desligamentos.

Aquém – Tal resultado ficou muito aquém da expectativa do mercado, que contava com a abertura de, ao menos, 105 mil novas vagas. Ainda assim, este ficaria bem abaixo dos 131.424 postos de trabalho criados, em igual mês de 2024.

A trajetória declinante da economia se reflete no fato de que apenas dois, dos cinco grupamentos de atividades econômicas exibiram saldo positivo no mês passado, liderado pelos serviços, com 82.436 contratações, seguido pelo comércio, com 25.592 vagas. Em contrapartida, a construção registrou o fechamento de 2.875 postos, enquanto a agropecuária e a indústria encerraram 9.917 e 10.092 vagas, respectivamente.

Incisivo – Mais veraz que a conveniente alegação de ‘elementos sazonais’, apontada como justificativa para o ‘tombo’ no mercado de trabalho pelo ministro da respectiva pasta, Luiz Marinho, o economista-chefe da Austin Rating Alex Agostini foi mais incisivo, ao afirmar que “o Brasil não tem ganho real de produtividade, convive com apagões de mão de obra e expande programas sociais sem garantir capacitação profissional”. Na sua avaliação, independentemente da ‘longevidade’ do aperto monetário, há um ‘enrosco estrutural’ que afeta o nível de emprego, mês a mês.

A salvo – Salvo de críticas pelos juros altíssimos que vitima empregos e vidas, Brasil a fora – ao contrário de seu antecessor, Campos Neto, alvo preferencial do mandatário esquerdista, embora este praticasse a mesma política de arrocho monetário, pelos mesmos motivos, a gastança federal – o presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, não hesitou em manifestar sua solene indiferença com relação aos efeitos deletérios da Selic estratosférica sobre a atividade econômica.

Jogo de palavras – Abusando do jogo de palavras, mais para confundir do que para explicar, o xerife da autarquia se limitou a afirmar que “crescimento sem desenvolvimento não basta”, emendando que “não tem nenhum dado específico que tenha mudado a nossa direção”. Isto é, o BC pretende reduzir os juros básicos, pois a “Selic seguirá firme [no mesmo patamar sideral] em 15% ao ano”. 

Caminho certo? – Para Galípolo, “a política monetária está no caminho certo”, adiantando que o Copom não pretende “correr para acompanhar a ansiedade do governo”. Neste caso, seria mais apropriado trocar o termo ‘ansiedade do governo’ pela ‘necessidade de sobrevivência’ da população, questão secundária para tecnocratas bem remunerados de alto escalão.

Próximo de zero – Reforçando o tom realista exposto por Agostini, o economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz observa que os números do Caged indicam um quadro nítido de desaceleração no mercado de trabalho. Embora descarte, num primeiro momento, o risco de colapso do emprego, Kautz apontou uma tendência clara de retração no processo de criação de novas vagas, em que a expectativa é de um crescimento ‘próximo de zero’ do indicador, nesse segundo semestre.  

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