Perda de velocidade do ‘motor’ chinês
deve afetar economia nacional
Deflação mandarim é tendência sem prazo para terminar
Embora
os efeitos internos do recorrente desajuste fiscal de Pindorama já sejam bem
conhecidos, estes podem ser potencializados em razão de um fator externo, que
promete ser bem mais longevo do que o prazo restante para a eleição
presidencial, no final do próximo ano.
Repercussões – Trata-se do fenômeno
conhecido como deflação da China, segunda economia do planeta, cujas
repercussões globais ainda não foram devidamente contabilizadas.
Capacidade interna – Para o economista, diretor-presidente da MCM Consultores, ex-consultor
do Banco Mundial, ex-subsecretário do Tesouro Nacional e articulista do Estadão,
Cláudio Adilson Gonçalez, o grau do impacto da retração econômica mandarim no
país vai depender, “de nossa capacidade interna de manter as previsibilidades
fiscal e institucional”.
IPC – Neste aspecto, Gonçalez admite que dados econômicos recentes reforçam as preocupações de a economia chinesa seguir uma dinâmica deflacionária similar à observada na década de 1990. Isso porque, prossegue ele, o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) do país asiático cresceu somente 0,2% em outubro último, no comparativo anual, após apurar dois meses seguidos de percentuais negativos.
Persistência – Em que pese o caráter passageiro de um período deflacionário, a leitura recorrente de analistas converge para a 'persistência' de pressões de preços nominais próximos de zero, em lugar da tendência de recuperação da demanda. O destaque fica por conta dos preços dos alimentos, cuja trajetória declinante exerce influência negativa sobre o índice geral, por conta da fragilidade do consumo das famílias, enquanto a inflação de serviços continua ‘moderada’, indicando contenção de gastos discricionários.
Demanda fraca – Apesar de levar em conta que o núcleo do IPC (exceto alimentos e energia) tenha avançado 1,2%, no mesmo comparativo anual – pressupondo uma ‘dinâmica’ inflacionária subjacente ‘um pouco mais saudável’ do que o índice geral – o patamar exibido continua refletindo uma demanda interna fraca. Para reforçar o quadro regressivo, enquanto a inércia prevalece nas vendas no varejo, a forte concorrência externa ‘derruba’ os preços das exportações chinesas.
Recuo industrial – No plano industrial,
a situação não é diferente: o Índice de Preços ao Produtor Industrial (IPI) teve
recuo anual de 2,1%, a reboque do viés deflacionário precipitado em 2022, devido ao excesso de capacidade instalada, presente em diversos segmentos, como
siderurgia, máquinas, produtos químicos e infraestrutura.
Real – O efeito ‘rebote’ da
desaceleração chinesa sobre a economia verde-amarela deverá ser sentido em
breve, de modo intenso, mas também ambíguo. Para Gonçalez, no curto prazo, a
baixa de preços das commodities deve atingir itens como minério de ferro, soja e
petróleo, com impactos negativos nos termos de troca, elevação do risco
soberano e até desvalorização do real.
Queda – Em contrapartida, a
desaceleração chinesa poderá ser atenuada, ante a perspectiva de queda das
taxas de juros internacionais, o que pode redundar em maior flexibilização
monetária por parte do Fed (Federal Reserve), o bc ianque, a conferir.
Principais impactos
globais da deflação mandarim:
Redução da inflação: A queda de preços
na China pode ajudar a conter a inflação em outros países, o que para algumas
nações pode ser um alívio.
Competição desleal: A China pode
exportar produtos a preços mais baixos, pressionando a indústria de outros
países e gerando concorrência acirrada.
Corte de empregos: Empresas
estrangeiras podem ter que reduzir o número de empregos devido à competição com
os produtos chineses de baixo custo.

Com a palavra, as consultorias econômicas
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