‘Morte’
da 1ª versão do Drex não impede avanço da tokenização
BC
vai buscar uma ‘nova tecnologia’ que assegure privacidade e segurança
Falhas de privacidade e de segurança de infraestrutura obrigaram o Banco Central (BC) a abandonar o projeto original do Drex (versão digital do real), cujo lançamento era previsto para o fim do ano passado, por não atender às exigências da autoridade monetária para o mercado financeiro, como sigilo bancário e conformidade com a LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais).
Inadequação – Outro fator determinante
para a decisão de extinguir a plataforma blockchain do Drex está relacionada
com a inadequação, tanto do custo, quanto da escalabilidade do modelo técnico
adotado, o que demandará a adoção de uma nova tecnologia nas fases posteriores do
projeto, em 2026. Na contramão da principal
característica das redes blockchain, pautadas pela extrema privacidade, os
testes efetuados para o Drex mostraram que esta não estava garantida, sobretudo
no que toca ao cumprimento da LGPD.
Tom – Dando o tom da decisão
do BC, o presidente da autarquia, Gabriel Galípolo afirmou que “a tecnologia
não se revelou viável”, acrescentando que “existem maneiras mais simples de
garantir segurança e liquidez para ativos digitais”. Para o ‘xerife da moeda
pátria’, o Drex, na verdade, não configurava uma CBDC tradicional, mas uma plataforma
de liquidação digital para ativos tokenizados. No seu entendimento, a versão
original da moeda digital deixou de atender exigências de privacidade; escalabilidade;
interoperabilidade e custo operacional.
‘Imaturidade’ – Quanto à infraestrutura,
a plataforma empregada (Hyperledger Besu) e na Ethereum Virtual Machine (EVM), foi
considerada ‘insegura e cara’ pela autarquia, pois o modelo técnico não
apresentou ‘maturidade’ suficiente para os requisitos do sistema financeiro.
Negação – Ao contrário do
que se poderia concluir, a autoridade monetária entende que a mudança de rumos
não representa um ‘fracasso’, mas uma oportunidade para construção de um novo
projeto, mais ‘focado em casos de mercado já bem-sucedidos’, mediante uma
tecnologia de arquitetura “agnóstica”.
Variedade – Por definição
colhida na web, a ‘arquitetura agnóstica’ remete a “um sistema ou projeto de
software projetado para operar em uma ampla variedade de ambientes, plataformas
ou sistemas operacionais sem ser limitado ou dependente de um único fornecedor,
tecnologia ou infraestrutura proprietária”. Esta possui como características a portabilidade;
flexibilidade e adaptabilidade; redução de custos e tempo de desenvolvimento e
foco nos objetivos de negócio.
Modernização – Pesam a favor
do Drex o fato de este representar uma iniciativa soberana e reforçar a
autonomia do BC na criação de uma moeda digital nacional, embora a próxima
solução deva envolver experiências tecnológicas estrangeiras, por instituições financeiras
com atuação global e em blockchain. Até então, o foco do ativo digital tupiniquim
é a modernização do sistema financeiro, de modo a elevar a eficiência das
transações, reduzir custos operacionais e burocracias, mas sem substituir o
dinheiro físico ou criptomoedas.
Descentralização –
Ao
mesmo tempo, analistas de mercado admitem que os critérios de avaliação do Drex
original (programabilidade, escalabilidade e segurança, etc.) são distintos das
demais moedas digitais, em circulação no globo, a exemplo do Bitcoin e do
Ethereum, conhecidos pela descentralização, como reservas de valor digital, prescindindo
de uma autoridade central de emissão ou controle.
Ethereum – No caso específico
do Ethereum, a respectiva plataforma é líder mundial em finanças
descentralizadas (DeFi), dotada de infraestrutura aberta e robusta para a
construção de uma vasta gama de aplicações, aspecto de ‘superioridade’, em termos
de flexibilidade e ecossistema de desenvolvimento. Por
sua vez, o Drex, ao suportar contratos inteligentes (smart contracts), permite
a automação de transações complexas (compra e venda de imóveis ou veículos, com
transferência simultânea de propriedade).
Maior risco – Enquanto a
ausência de um órgão regulador, que caracteriza os ativos digitais mencionados,
pode ser considerada uma ‘vantagem’ para quem busca privacidade e autonomia,
por outro lado, implica maior risco a quem prioriza estabilidade e a proteção exercida
pelos bancos centrais.
Tokenização avança
– A
despeito da ‘surpresa’ que tomou conta do mercado, o anúncio da suspensão do
projeto-piloto do Drex em blockchain produziu um efeito diverso. Além de nova rodada
de debates em torno das perspectivas do ativo digital verde-amarelo, a medida
acabou contribuindo para o avanço, firme, do processo de tokenização de ativos.
Responsabilidade –
“O
Drex parou, mas o Brasil não”, observa o fundador da Droom Investimentos,
Eduardo Gouvêa, para quem a decisão, embora demonstre a ‘responsabilidade
institucional’ do BC, está longe de interromper a modernização do sistema
financeiro, uma vez que, segundo ele, o verdadeiro ‘motor’ da transformação do
segmento digital no país vem da tokenização, que continuará se expandindo, “seja
qual for o desenho final da moeda digital”.
Iniciativas – Nesse contexto, se
destacam iniciativas de digitalização que não dependem o Drex, como títulos
públicos tokenizados; recebíveis estruturados digitalmente, imóveis
representados em blockchain e créditos de carbono que operam em plataformas
distribuídas. Mediante essa dinâmica, se constata que inovação tupiniquim se
encontra em estágio avançado, mesmo sem uma CBDC em operação.

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