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                                                 Juros altos e incertezas ‘detonam’ bitcoin

                         Cotação da principal criptomoeda despenca 30% e anula ganhos em 2025

Marcello Sigwalt


A recorrente flutuação das ações de tecnologia, as chamadas ‘big techs’ – como reflexo, no campo macroeconômico, de preocupações ‘persistentes’ dos investidores com a trajetória da inflação e dos juros nos EUA, maior economia do planeta – estaria ‘na raiz’ do ‘tombo’ monumental de 30% na cotação do bitcoin que, no último domingo (16) recuou a US$ 93.714, patamar inferior ao do fechamento do fim de 2024. Na terça (18), porém, o ativo digital recuou mais 2,8%, baixando a US$ 90 mil, pela primeira vez em sete meses, em meio a um ambiente de forte aversão ao risco nos mercados asiáticos que, por sua vez, alimenta novo ciclo de vendas em Wall Street. 

Queda livre – A queda da livre da principal criptomoeda do mundo praticamente zerou todos os ganhos do ativo digital em 2025, a reboque de uma desconfiança crescente do mercado com uma suposta supervalorização das ações de tecnologia, listadas no Nasdaq, maior bolsa mundial do segmento.

Descarte – O mesmo preceito vale para as empresas de IA (Inteligência Artificial), capitaneadas pela gigante Nvidia, cujos resultados mais recentes despertaram ceticismo entre investidores. Em paralelo, o entusiasmo em torno das criptomoedas de IA (tokens que utilizam IA com o objetivo de otimizar o funcionamento do blockchain) vem atraindo mais capital do que poderia ser investido em bitcoin, parcialmente preterido como alternativa de investimento.  

Menor exposição – Em consequência desse cenário adverso, o investidor procura reduzir sua exposição a ativos de risco, com destaque para o bitcoin, face às incertezas que envolvem a política monetária conduzida pelo Federal Reserve (Fed) - o bc ianque - que segura as taxas de juros para conter uma renitente inflação estadunidense. Dessa forma, juros com viés de alta tendem a desvalorizar ações de empresas em processo de crescimento, em especial, na área de tecnologia, uma vez que o custo de capital se eleva, ao passo que o valor presente dos lucros futuros das empresas (no longo prazo) se reduz.   

Incerteza – Ao mesmo tempo, a volatilidade do mercado aumenta, à medida que se aproxima o momento da divulgação dos resultados dos balanços das ‘big techs’, face ao temor de que o aumento dos lucros anunciados não seja suficiente para ‘justificar’ a grande quantidade de capital investido, assim como ‘valuations’ elevados, exibidos por algumas empresas, o que pode precipitar a realização de lucros.

Descompasso – Caso esse descompasso se confirme, correções bruscas poderão ser necessárias. Neste ponto, é crucial admitir que o uso das IAs como impulsionadoras de investimentos maciços em infraestrutura (data centers e chips especializados) impõe custos muito expressivos no curto prazo, sem que haja contrapartida de retornos imediatos, abrindo margem para fases mais voláteis.

Tarifaço fatal – A guinada descendente do bitcoin, iniciada após o anúncio do tarifaço pelo presidente Trump, em março último, se acentuou com o ‘desengajamento’ de investidores institucionais – até então, o ‘principal sustentáculo’ da forte valorização da criptomoeda, ao longo da maior parte deste ano – que decidiram ‘formar lucro’. Antes, contudo, os ativos sob gestão dos investidores institucionais chegaram a atingir o montante de US$ 169 bilhões  US$ 25 bilhões em ETF.

Tomada de lucro – “A venda resulta de uma combinação de tomada de lucro por investidores de longo prazo, saídas institucionais, incerteza macro e liquidação de posições alavancadas”, explica o analista sênior da Nansen, Jake Kennis, ao acrescentar que “o que está claro é que o mercado escolheu temporariamente uma direção de baixa, após um longo período de consolidação”. Atualmente, bitcoin responde por quase 60% dos cerca de US$ 3,2 trilhões do valor total do mercado de criptomoedas.

Crise de liquidez – Célebre por antecipar tendências, o investidor milionário Arthur Hayes previu a queda do bitcoin, sob o argumento de que um novo ‘evento de crédito’ estaria se formando, ao fazer menção de uma provável crise de liquidez global, o que se prenunciaria pelas altas recentes dos índices S&P 500 e Nasdaq, em contraponto à queda da criptomoeda.

 

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