Queda livre – A queda da livre
da principal criptomoeda do mundo praticamente zerou todos os ganhos do ativo
digital em 2025, a reboque de uma desconfiança crescente do mercado com uma
suposta supervalorização das ações de tecnologia, listadas no Nasdaq, maior
bolsa mundial do segmento.
Descarte – O mesmo
preceito vale para as empresas de IA (Inteligência Artificial), capitaneadas
pela gigante Nvidia, cujos resultados mais recentes despertaram ceticismo entre
investidores. Em paralelo, o entusiasmo em torno das criptomoedas de IA (tokens
que utilizam IA com o objetivo de otimizar o funcionamento do blockchain) vem atraindo
mais capital do que poderia ser investido em bitcoin, parcialmente preterido
como alternativa de investimento.
Menor exposição – Em consequência
desse cenário adverso, o investidor procura reduzir sua exposição a ativos de
risco, com destaque para o bitcoin, face às incertezas que envolvem a política
monetária conduzida pelo Federal Reserve (Fed) - o bc ianque - que segura as taxas
de juros para conter uma renitente inflação estadunidense. Dessa forma, juros com
viés de alta tendem a desvalorizar ações de empresas em processo de
crescimento, em especial, na área de tecnologia, uma vez que o custo de capital
se eleva, ao passo que o valor presente dos lucros futuros das empresas (no
longo prazo) se reduz.
Incerteza – Ao mesmo tempo, a volatilidade
do mercado aumenta, à medida que se aproxima o momento da divulgação dos
resultados dos balanços das ‘big techs’, face ao temor de que o aumento dos lucros
anunciados não seja suficiente para ‘justificar’ a grande quantidade de capital
investido, assim como ‘valuations’ elevados, exibidos por algumas empresas,
o que pode precipitar a realização de lucros.
Descompasso – Caso esse
descompasso se confirme, correções bruscas poderão ser necessárias. Neste
ponto, é crucial admitir que o uso das IAs como impulsionadoras de
investimentos maciços em infraestrutura (data centers e chips especializados)
impõe custos muito expressivos no curto prazo, sem que haja contrapartida de
retornos imediatos, abrindo margem para fases mais voláteis.
Tarifaço fatal – A guinada descendente
do bitcoin, iniciada após o anúncio do tarifaço pelo presidente Trump, em março
último, se acentuou com o ‘desengajamento’ de investidores institucionais – até
então, o ‘principal sustentáculo’ da forte valorização da criptomoeda, ao longo
da maior parte deste ano – que decidiram ‘formar lucro’. Antes, contudo, os ativos sob gestão dos investidores institucionais chegaram a atingir o montante de US$ 169 bilhões – US$ 25 bilhões em ETF.
Tomada de lucro – “A venda
resulta de uma combinação de tomada de lucro por investidores de longo prazo,
saídas institucionais, incerteza macro e liquidação de posições alavancadas”, explica
o analista sênior da Nansen, Jake Kennis, ao acrescentar que “o que está claro
é que o mercado escolheu temporariamente uma direção de baixa, após um longo
período de consolidação”. Atualmente, bitcoin responde por quase 60% dos cerca
de US$ 3,2 trilhões do valor total do mercado de criptomoedas.
Crise de liquidez – Célebre por antecipar
tendências, o investidor milionário Arthur Hayes previu a queda do bitcoin, sob
o argumento de que um novo ‘evento de crédito’ estaria se formando, ao fazer menção
de uma provável crise de liquidez global, o que se prenunciaria pelas altas recentes
dos índices S&P 500 e Nasdaq, em contraponto à queda da criptomoeda.

Incerteza global eleva aversão de risco para o bitcoin
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