Gestão perdulária eleitoreira condena o país à estagflação
Gastança
federal obriga BC a manter Selic elevada e compromete crescimento
Até um aluno de
primeiro ano do Ensino Fundamental já sabe que, se não fizer o ‘dever de casa’,
ficará em ‘dívida’ com a escola e não passa de ano. O mesmo preceito vale para governos
de toda espécie, com a diferença de que, ao contrário do ‘simples mortal contribuinte’,
aqueles que deveriam zelar pelo patrimônio público ‘rolam’ seus débitos, pelo famigerado
instituto chamado ‘dívida pública’, cujo inchaço decorrente de uma gastança federal que deverá atingir, como mencionado no post anterior, à marca de 125% do PIB, regiamente
pagos pelas gerações futuras, ou seja, seus filhos, seus netos, décadas a fora.
Há quem argumente que um
endividamento dessa magnitude é fato corriqueiro, em países que ‘ostentam’ percentual
semelhante, e que isso não significa ‘sinal de alerta’ de crise à vista ou a
prazo. Mas tal afirmação, na verdade, é uma falácia, pois o que importa, nesse
caso, é a situação econômica do país em questão. A situação se complica mais, diante
do cenário externo turbulento, propenso à volatilidade e ataques cambiais
contra o real, repelidos somente à custa das reservas internacionais do país, último bastião de defesa de nossa economia.
No Brasil, o ‘estrangulamento’
da atividade por um Banco Central (BC) subserviente à obsessão do Planalto por
uma recondução, no pleito de 2026, custe o que custar, está levando a economia
tupiniquim ao abismo da recessão, ante a uma inflação não ‘domada’, ou estagflação,
no jargão econômico. Isso sem contar no avanço, célere, da concentração de
renda. Hoje, a taxa básica de juros (Selic) se mantém, sine die, no patamar de 15% ao ano, a segunda maior taxa real de juros do globo.
Para sustentar a meta ‘fake’
de equilíbrio fiscal, o Executivo ‘arrocha’ ainda mais o trabalhador, de fato,
com o aumento da tributação. Nunca é demais lembrar que o brasileiro trabalha quatro
meses do ano só para sustentar os nababos milionários da máquina pública, de
todos os poderes da república nanica.
A ironia da hora é
constatar que apesar de ‘credor’ do FMI, o país se tornou alvo, novamente, de novo alerta
do organismo multilateral de crédito, para quem, a trajetória da dívida bruta
geral brasileira, que deve beirar os 100% do PIB em poucos anos, revela um
diagnóstico sombrio no que toca aos seus principais indicadores (crescimento,
inflação, juros e preços dos ativos) e que remete ao maior risco fiscal entre todos
os demais países emergentes.
Ante essa constatação,
o articulista do site Investing, Tiago Monteiro escreve: “Esse patamar reflete
um tripé desconfortável: juros reais elevados, déficit primário recorrente e
baixo crescimento potencial, com o diferencial juros–crescimento (J-C) operando
contra a dinâmica da dívida. Quando J>C, o setor público precisa de
superávits primários persistentes para apenas impedir que a dívida
suba; sem eles, a curva de endividamento tende a se inclinar para cima”.
Em seguida, Monteiro
emenda: “Em resumo, a discussão aponta para a preferência de que o governo
primeiro busque a eficiência e a austeridade em suas próprias operações
("fazer o dever de casa") antes de transferir o ônus do ajuste para a
sociedade por meio de mais imposto”.
Mas o alerta do Fundo
vem sendo compartilhado pelas agências de classificação de risco
internacionais, que expressaram preocupação com os rumos da política econômica petista,
que deve abandonar a retórica de ‘metas declaradas’ por ‘entregas críveis’. Ainda
em seu artigo, Monteiro destaca que, no mapa de risco dessas instituições, o
quadro abrange os seguintes indicadores:
·
Crowding out* do
investimento privado via custo de capital elevado.
·
Compressão do espaço
orçamentário por juros, que desloca gasto de investimento para despesa
financeira;
·
Vulnerabilidade a
choques de termos de troca ou de crescimento, como uma desaceleração adicional
da China.
* Crowding out do investimento privado é um
fenômeno econômico em que o aumento dos gastos do governo leva à diminuição do
investimento privado. Isso ocorre principalmente porque o governo, ao se
endividar para financiar seus gastos, aumenta a demanda por crédito no mercado,
elevando as taxas de juros. Com juros mais altos, o custo de se tomar
empréstimo para investir fica mais caro, desincentivando as empresas e levando
a uma queda no investimento privado e no crescimento econômico a longo
prazo.
Por fim, analistas de mercado recomendam, de
forma objetiva e clara, as seguintes medidas para o ‘dever de casa fiscal',
desde que haja vontade política, gestão responsável e controle rigoroso dos gastos
públicos:
Corte de despesas: Redução de gastos discricionários (como
custeio da máquina pública) e, em alguns casos, revisão de despesas
obrigatórias.
Combate a privilégios e renúncias fiscais: Redução de benefícios tributários (gastos
tributários) que, muitas vezes, favorecem setores específicos da economia.
Eficiência na gestão: Melhorar a alocação de recursos e a qualidade
do gasto público para que os serviços essenciais (saúde, educação, segurança)
sejam entregues de forma mais eficaz.

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