Freepik

                        Desprezo federal pelo fiscal deve ‘catapultar’ dívida para 125% do PIB

Expansão descontrolada dos gastos públicos; demanda aquecida por crédito, que pressiona as taxas sobre o público; Selic ‘nas alturas’ (15% ao ano, a segunda maior do planeta) e investimento privado em queda livre (17% do PIB). 

Esse é o retrato, em branco e preto, sem retoques, do estágio atual de vulnerabilidade da economia brasileira, marcada por uma gestão federal cronicamente perdulária, no afã de cativar, corações e mentes dos menos favorecidos, para travesti-los de eleitores de primeira hora de um acalentado quarto mandato petista, logo ali, em 2026, sob a omissão escandalosa e majoritária da mídia.

A estratégia aqui é explícita: extorquir e comprometer a população economicamente ativa e o segmento produtivo, por meio de uma tributação excessiva e escorchante (a carga tributária já é hoje de 33% do PIB), a fim de ‘patrocinar’ programas assistencialistas e eleitoreiros que tornaram a meta fiscal zero, slogan maior do tecnocrático e estéril arcabouço fiscal,  ‘letra morta’ e ‘peça de ficção’ para nem 'inglês ver'.  

Muito pelo contrário, a retórica de austeridade palaciana cai por terra, por não resistir aos números da realidade. Segundo a Instituição Fiscal Independente (IFI) – órgão ligado ao Senado – até o final do mandato em curso, não menos do que R$ 150 bilhões serão executados fora da falida âncora fiscal, catapultando a dívida pública tupiniquim de 78% do PIB para 125% do PIB, em dez anos, caso nenhuma medida concreta seja tomada para deter a escalada do desequilíbrio das contas públicas.

Pior, a nova ‘sangria’ perpetrada pelo Congresso Nacional sepulta qualquer noção de responsabilidade fiscal, ao colocar R$ 30 bilhões extras fora do arcabouço, em gastos com a Defesa. A nova derrama agora aguarda a sanção palaciana. Neste tópico, é bom que se esclareça, a responsabilidade pelo desajuste das contas públicas deve ser debitada, tanto ao Executivo quanto ao Legislativo, cujas ações são, igualmente, guiadas pela ‘bússola’ das eleições no ano que vem, por meio de exceções e remendos que visam novas liberações de recursos aos currais eleitorais.

Colocando o ‘dedo na ferida’, o pesquisador do Insper e ex-assessor do Ministério da Fazenda, Marcos Mendes afirma que “o governo descumpre as regras o tempo todo”, acrescentando que “as despesas tiradas das regras são despesas de qualquer jeito e fazem a dívida pública crescer da mesma forma.” De janeiro de 2023 até hoje, a dívida bruta do país saltou de 71% para 78% do PIB.

No campo das ‘consequências’ da inconsequência fiscal se destacam:

Ø  Menos acumulação de capital: queda no investimento privado significa menor acumulação de capital na economia.

Ø  Crescimento econômico mais lento: menor acumulação de capital e o desincentivo ao investimento resultam em crescimento econômico mais lento no longo prazo.

Ø  Redução da renda e emprego: juros mais altos e menos investimento podem levar à redução da renda e do emprego no setor privado. 

Mas quando o que importa é cumprir o ‘dever de casa’, que remeteria às medidas internas adotadas pelo governo para equilibrar suas contas, voltadas à eficiência e a austeridade em suas próprias operações, as soluções são óbvias:

Ø  Corte de despesas: redução de gastos discricionários (como custeio da máquina pública) e, em alguns casos, revisão de despesas obrigatórias.

Ø  Combate a privilégios e renúncias fiscais: corte de benefícios tributários (gastos tributários) que, muitas vezes, favorecem setores específicos da economia.

Ø  Eficiência na gestão: melhoria na alocação de recursos e na qualidade do gasto público para que  serviços essenciais (saúde, educação, segurança) ganhem eficácia.  

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog